A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou a convocação do presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, e do secretário adjunto de Economia do governo do Distrito Federal, Daniel Izaías de Carvalho. A medida visa obter esclarecimentos detalhados sobre a atual situação financeira do banco, uma instituição pública de grande relevância para a economia local.
A decisão de convocar os gestores ocorreu após a ausência de ambos em uma audiência pública agendada para esta terça-feira, descumprindo um acordo prévio com o legislativo distrital. Essa falta de comparecimento gerou fortes críticas por parte dos deputados, que ressaltaram a importância da transparência e da prestação de contas em um momento de incertezas sobre a saúde financeira do banco.
Ausências e a reação do Legislativo distrital
Inicialmente, o presidente do BRB e o secretário adjunto haviam sido convidados para a sessão, após declararem publicamente que compareceriam espontaneamente. O objetivo era explicar a operação de aquisição do Banco Master, que não foi bem-sucedida, e as medidas de governança implementadas pela instituição. No entanto, a ausência levou à conversão do convite em convocação.
O deputado distrital Thiago Manzoni (PL), presidente da CCJ, enfatizou que a não-apresentação dos convidados, especialmente diante da gravidade dos fatos, representa um desrespeito não apenas à comissão, mas também aos cidadãos do Distrito Federal. Segundo ele, a população tem o direito de ser informada sobre o que ocorre com o BRB, um banco público que movimenta bilhões de reais e é peça central na economia local.
A crise no BRB e a busca por transparência
O banco estatal do Distrito Federal tem enfrentado uma crise de confiança e problemas de liquidez, resultantes de prejuízos relacionados à compra bilionária de carteiras de crédito e ativos de baixa liquidez negociados pelo Banco Master. A Polícia Federal, inclusive, está investigando suspeitas de fraude na aquisição de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos do banco, o que agrava o cenário.
O deputado Fábio Félix (PSOL) também criticou a ausência dos gestores e a postura do BRB em relação às demandas do legislativo. Ele mencionou que os gabinetes parlamentares têm solicitado informações e documentos, mas as respostas do banco têm sido desrespeitosas, frequentemente alegando sigilo para não prestar os esclarecimentos necessários. Essa falta de acesso a informações impede que os parlamentares compreendam a real situação do banco e do governo do DF.
Desdobramentos e responsabilidades políticas
A responsabilidade pelo ocorrido é atribuída ao governo do Distrito Federal, que é o controlador do BRB. O deputado Fábio Félix lembrou que o ex-governador Ibaneis Rocha foi quem encaminhou os projetos de lei à Câmara Legislativa para viabilizar a operação, atuando politicamente para sua rápida aprovação. Para o parlamentar, a responsabilidade política é clara, independentemente de pré-julgamentos jurídicos.
Em um desdobramento paralelo, o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, também era esperado para depor nesta terça-feira na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Crime Organizado, no Congresso Nacional. Ele não compareceu à sessão, assim como já havia faltado a outras duas reuniões como convidado. Diante disso, o colegiado também aprovou sua convocação para prestar informações sobre as negociações do BRB para a compra do Banco Master, negócio que foi impedido pelo Banco Central. A ausência do ex-governador na CPMI reforça a percepção de uma crise de transparência que se estende por diferentes esferas de poder.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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