A produção da cinebiografia Dark Horse, que retrata a vida do ex-presidente, alcançou um custo de aproximadamente R$ 75 milhões, equivalente a US$ 13,3 milhões. Este montante foi declarado pela produtora Go Up Entertainment e revelado por um portal de notícias com base em um laudo técnico. A divulgação ocorre em meio a um inquérito policial que apura a origem dos recursos utilizados na obra audiovisual, gerando debate sobre o financiamento de projetos culturais de grande porte.
O valor da produção veio à tona após o laudo ser anexado a uma investigação da Polícia Civil de São Paulo. O foco do inquérito é verificar se houve desvio de verbas públicas de um contrato de R$ 108 milhões, firmado entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a prefeitura paulistana, para custear o filme. A representante do ICB e proprietária da Go Up Entertainment, Karina Ferreira da Gama, foi alvo de mandados de busca e apreensão no início de junho, intensificando as apurações.
Detalhes Financeiros da Produção de Dark Horse
O custo total de R$ 75 milhões da cinebiografia Dark Horse foi detalhado por um documento do Instituto de Perícia Investigativa (IPI). Segundo a perícia, as gravações do filme consumiram R$ 54,2 milhões em solo americano e R$ 20,9 milhões no Brasil. O longa-metragem, que tem lançamento previsto para este ano, conta com a participação de atores de Hollywood, incluindo Jim Caviezel no papel principal.
Os recursos para a produção, conforme o laudo, teriam sido injetados pelo fundo Heavengate Development Fund LP. As transferências financeiras foram realizadas por meio de contas do Banco do Brasil, com a maior parte das transações em território nacional efetuadas via Pix. Este detalhamento busca esclarecer a movimentação financeira por trás da obra.
Inquérito Policial e Alegações de Desvio de Verbas
A Polícia Civil de São Paulo está conduzindo uma investigação aprofundada sobre a possível utilização indevida de fundos públicos na produção de Dark Horse. A suspeita central é que parte de um contrato de R$ 108 milhões, assinado entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a prefeitura de São Paulo, possa ter sido desviada para financiar a cinebiografia. O ICB é uma organização não governamental que teria a mesma representante da produtora do filme.
As ações da polícia incluíram mandados de busca e apreensão na residência e nos escritórios de Karina Ferreira da Gama, que é a proprietária da Go Up Entertainment e também atua como representante do Instituto Conhecer Brasil. A investigação busca rastrear a origem e o destino dos recursos, confrontando as alegações de financiamento privado com as evidências de possíveis irregularidades em contratos públicos. Para mais informações sobre a transparência de verbas públicas, consulte o Portal da Transparência.
A Defesa e a Auditoria Independente
Em resposta às acusações, a defesa da produtora apresentou um laudo do Instituto de Perícia Investigativa (IPI), que alega comprovar a origem 100% privada dos recursos aplicados na produção do filme. Segundo os peritos particulares, a auditoria financeira realizada confirmou que não houve uso de verbas da prefeitura na rodagem de Dark Horse. Para sustentar essa tese, foram anexados à Justiça diversos documentos.
Entre a documentação apresentada estão contratos de investimentos, ordens de remessa internacional e extratos bancários. Esses elementos visam refutar a hipótese dos investigadores de que houve desvio de dinheiro público. A defesa busca, assim, demonstrar a legitimidade do financiamento e a transparência das operações financeiras envolvidas na criação da cinebiografia.
Contraste com Orçamentos Anteriores e Negociações
A planilha de custos entregue à Justiça, que detalha os R$ 75 milhões gastos em Dark Horse, também revelou que o orçamento inicial aprovado pelos diretores era de US$ 16 milhões, o que equivalia a cerca de R$ 89,7 milhões. Este valor é significativamente menor do que um montante atribuído a uma suposta negociação ocorrida em 2025.
Mensagens divulgadas por um site de notícias indicavam conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para estruturar um fluxo financeiro em favor do projeto. O plano, segundo as mensagens, previa o pagamento de parcelas que totalizariam US$ 24 milhões, ou R$ 134 milhões. A planilha atual da perícia, contudo, focou nos gastos reais, dividindo-os entre as etapas de desenvolvimento de roteiro, pré-produção, filmagens no Brasil e pós-produção nos Estados Unidos, evidenciando as diferentes cifras envolvidas em diversas fases e propostas do projeto.
Fonte: revistaoeste.com

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