
A inflação brasileira registrou alta de 0,58% em maio, um resultado que, embora demonstre uma desaceleração em comparação aos meses anteriores, foi fortemente influenciada pelo aumento nos preços dos alimentos. Este cenário fez com que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado nos últimos 12 meses atingisse 4,72%, ultrapassando o limite superior da meta de tolerância estabelecida pelo governo. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acendendo um alerta sobre o poder de compra das famílias.
Alimentos e bebidas: O principal vetor da alta de preços em maio
O grupo de alimentação e bebidas foi o principal responsável pela pressão inflacionária em maio, com uma elevação de 1,33%. Esse aumento representou metade da inflação total do mês, contribuindo com 0,29 ponto percentual para o IPCA. Maio marca o terceiro mês consecutivo em que os preços dos alimentos superam 1% de alta, e a taxa de 1,33% é a maior para o mês desde 2015.
Entre os itens que mais impactaram o índice, destacam-se a batata-inglesa, com um salto de 44,69%, e o tomate, que encareceu 20,62%. As carnes também registraram aumento de 1,39%, enquanto a cebola subiu 16,80%. Segundo o gerente da pesquisa, a menor oferta de alguns produtos, o custo do frete rodoviário e a alta nos preços dos fertilizantes – influenciados pelo conflito no Oriente Médio – são fatores que explicam essa escalada. Caso o grupo de alimentação e bebidas fosse excluído do cálculo, a inflação de maio teria sido de 0,37%.
Habitação e energia elétrica: O peso da conta de luz no orçamento
O segundo grupo que mais contribuiu para a inflação de maio foi o de habitação, que apresentou uma alta de 1,22%, com impacto de 0,18 ponto percentual no IPCA. A principal causa para essa elevação foi o aumento de 3,67% na energia elétrica residencial, que se tornou o custo individual de maior peso no mês, com impacto de 0,15 p.p.
A justificativa para o encarecimento da conta de luz reside na implementação da bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora (kwh) consumidos. Além disso, reajustes contratuais foram observados em seis regiões metropolitanas monitoradas pelo IBGE, incluindo Aracaju, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte, contribuindo para a média nacional. A bandeira amarela permanece em vigor para o mês de junho.
Alívio nos transportes: Combustíveis em deflação
Em contrapartida à pressão dos alimentos e da habitação, o grupo de transportes foi o único a registrar deflação em maio, com uma queda média de 0,46% nos preços. Essa redução foi impulsionada principalmente pela diminuição nos valores dos combustíveis, que recuaram 1,95%.
O etanol teve uma queda de 6,20%, seguido pelo óleo diesel, com -2,34%, e pela gasolina, que apresentou recuo de 1,46%. A gasolina, inclusive, foi o produto que mais contribuiu para puxar a inflação para baixo em todo o IPCA de maio, com um impacto negativo de -0,08 p.p. Em contraste, o gás veicular registrou um aumento de 5,81% no mesmo período.
Inflação e o contexto econômico: Acumulado de 12 meses supera meta
O resultado de maio, com a inflação de 0,58%, embora inferior aos 0,67% de abril e 0,88% de março, elevou o acumulado de 12 meses para 4,72%. Este patamar supera o limite de tolerância de 4,5% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), cuja meta central é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. A última vez que o acumulado anual esteve fora desse limite foi em outubro de 2025, quando atingiu 4,68%.
A avaliação da meta de inflação, desde o início de 2025, considera os 12 meses imediatamente passados, e não apenas o resultado de dezembro. O teto é considerado descumprido se a inflação exceder o intervalo de tolerância por seis meses consecutivos. O índice de difusão, que mede a abrangência da alta de preços, indicou que 65% dos 377 produtos e serviços pesquisados tiveram reajustes em maio. As projeções do mercado financeiro, conforme o Boletim Focus do Banco Central, estimavam uma inflação de 0,48% para maio, abaixo do resultado efetivo, e projetam 5,11% para o final de 2026.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
Deixe um comentário