PF detalha 74 ligações entre senador e ex-sócio de banco em investigação

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PF detalha 74 ligações entre senador e ex-sócio de banco em investigação

Documentos recentes da Polícia Federal (PF) revelam uma intensa comunicação entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. A investigação aponta para a troca de 74 ligações telefônicas, totalizando mais de cinco horas e meia de conversas, entre novembro de 2023 e maio de 2025. Essas informações vêm à tona em um contexto de apuração de suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Os detalhes foram divulgados após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantar o sigilo da 9ª fase da Operação Compliance Zero. Esta operação foca em irregularidades envolvendo o extinto Banco Master, e os novos elementos sugerem um possível recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente, por meio de familiares e estruturas ligadas ao grupo econômico investigado.

Conexões telefônicas e indícios de vantagens indevidas

A Polícia Federal documentou as 74 ligações entre o senador Jaques Wagner e Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, que ocorreram ao longo de um ano e meio. Essas comunicações somam um tempo considerável de diálogo, indicando uma relação próxima entre as partes. O relatório da PF sugere que essas interações podem estar ligadas a um esquema de recebimento de benefícios financeiros ilícitos.

Os indícios apontam para o envolvimento do parlamentar em um arranjo que teria beneficiado a ele ou a pessoas de seu círculo de confiança. Tais vantagens teriam sido operacionalizadas por meio de estruturas societárias associadas ao grupo econômico sob investigação. As informações foram inicialmente veiculadas pela CNN Brasil, destacando a gravidade das alegações.

Articulações de encontros e uso de aeronaves

A investigação da Polícia Federal também trouxe à luz mensagens que indicam uma tentativa de articulação de um encontro “discreto” entre Augusto Lima e o advogado-geral da União, Jorge Messias. Com base em trocas de mensagens e um áudio de abril de 2024, o senador Wagner teria sugerido seu gabinete como local para a reunião, descrevendo-o como “o mais protegido e discreto pra todo mundo”. Ele ainda mencionou que Lima não precisaria passar pela identificação na entrada do Senado.

Apesar das evidências, a própria PF ressalta que as mensagens não confirmam a efetiva participação de Messias no encontro. Além disso, a corporação reuniu conversas do celular de Daniel Vorcaro sobre um voo que, segundo a PF, possivelmente transportou Wagner. Nessas mensagens, Vorcaro teria solicitado o uso de uma aeronave “que ninguém conheça” e instruído a “tirar o avião rápido de lá”, indicando a preocupação com a discrição. A PF estima que o senador teria utilizado aeronaves ligadas ao então banqueiro em pelo menos quatro ocasiões.

Influência legislativa e o papel de aliado político

Outro ponto central da investigação é o acompanhamento do senador Jaques Wagner ao avanço da chamada “Emenda Master”, uma proposta legislativa que visava ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito. A Polícia Federal registrou ligações, mensagens e reuniões entre Wagner e Augusto Lima após a publicação dessa proposta, sugerindo um interesse ativo do parlamentar na matéria.

As evidências incluem mensagens em que Daniel Vorcaro teria se referido a Wagner como um “aliado político” nas articulações de pautas regulatórias de interesse do banco. Para a PF, esse material indica que a atuação do senador “transcendia o mero acompanhamento legislativo e alcançava o plano das articulações políticas institucionais”, configurando um possível uso de sua influência para beneficiar o grupo econômico.

Monitoramento de geolocalização autorizado pelo STF

Em uma decisão paralela, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou o monitoramento dos dados de geolocalização dos celulares de Jaques Wagner e de outros cinco investigados. A medida, com duração de dez dias, visa auxiliar a investigação da Polícia Federal. É importante ressaltar que a autorização se restringe ao rastreamento da localização dos investigados, sem conceder acesso ao conteúdo de suas conversas ou mensagens.

Fonte: revistaoeste.com

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