Uma interrupção de grande escala no fornecimento de energia elétrica atingiu a capital fluminense e diversos municípios do estado em uma quarta-feira à tarde, deixando mais de 1,3 milhão de imóveis sem luz. O incidente, que começou por volta das 16h38, paralisou serviços essenciais e causou transtornos significativos à população, com a interrupção da circulação de importantes linhas do metrô e o registro de eventos extremos relacionados às condições climáticas.
As concessionárias Light e Enel Rio, responsáveis pela distribuição de energia nas áreas afetadas, atribuíram a falha a fatores externos e à intensidade dos ventos que assolaram a região. O episódio ressalta a vulnerabilidade da infraestrutura elétrica diante de fenômenos naturais e a complexidade do restabelecimento do serviço em cenários de grande impacto.
Interrupção generalizada e impacto no sistema de transporte
O apagão afetou um vasto contingente de consumidores, com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) registrando um total de 1,34 milhão de imóveis sem energia. Na área de concessão da Light, mais de 840 mil clientes foram impactados, enquanto a Enel Rio contabilizou cerca de 536 mil consumidores sem fornecimento.
Além do impacto residencial e comercial, a interrupção da energia elétrica teve consequências diretas no sistema de transporte público. As linhas 1, 2 e 4 do metrô do Rio de Janeiro tiveram sua circulação temporariamente interrompida, afetando milhares de passageiros e adicionando um componente de caos à rotina da cidade em horário de pico.
Ventos fortes e falha na subestação Grajaú como causas
As causas do apagão foram apontadas como multifacetadas. A Light informou que a interrupção foi provocada por uma falha externa, sem ligação com a operação da concessionária. Por sua vez, a Enel Rio atribuiu parte significativa das interrupções aos efeitos climáticos adversos, destacando a atuação de fortes ventos que impactaram o sistema elétrico em diversas cidades.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) corroborou a influência do clima, reportando que os ventos intensos na cidade iniciaram desligamentos na rede de distribuição e transmissão. Às 16h38, a Subestação Grajaú foi desligada, resultando em uma redução de carga de aproximadamente 1.500 MW. A Áxia, empresa responsável pela transmissão, esclareceu que a ventania gerou um curto-circuito que afetou os sistemas de proteção de segurança de duas linhas da subestação, com o suprimento de energia à distribuidora local sendo restabelecido às 16h51.
A intensidade dos ventos foi tal que um registro visual da cidade mostrou uma caixa d’água sendo derrubada do topo de um prédio residencial em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, evidenciando a força do fenômeno natural.
Cidades mais afetadas e esforços de restabelecimento
O apagão não se limitou à capital, estendendo-se por diversas cidades do estado. Entre os municípios atendidos pela Enel Rio, Duque de Caxias, Magé, São Gonçalo, Niterói, Itaboraí, Maricá e Petrópolis registraram clientes sem energia. A situação foi particularmente crítica na região Sul do estado, onde a queda de dezenas de árvores em Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba interrompeu estradas, derrubou fios e bloqueou acessos.
Paraty foi a localidade mais severamente atingida, com 77,3% dos clientes sem energia. Angra dos Reis teve 38,3% dos consumidores afetados, Mangaratiba registrou 31,92% e Duque de Caxias, 27,64%. As concessionárias mobilizaram equipes e realizaram manobras remotas para agilizar os reparos e o restabelecimento do serviço. A Light informou que já havia normalizado o fornecimento em áreas como a Zona Sul, o Centro e a Tijuca, enquanto a Enel Rio continuava com os trabalhos em suas respectivas áreas de atuação.
Fonte: revistaoeste.com

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