Polícia Militar intensifica ações contra facção criminosa na Região Metropolitana do Rio

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Polícia Militar intensifica ações contra facção criminosa na Região Metropolitana do Rio

Reprodução / Agenciabrasil.Ebc.Com

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) deflagrou uma série de operações em comunidades do estado nesta quinta-feira (13), visando combater o Comando Vermelho (CV). A ação coordenada mobilizou um contingente significativo, com a participação de ao menos 27 batalhões e diversas unidades especializadas ligadas ao Comando de Operações Especiais (COE), demonstrando a amplitude do esforço das forças de segurança.

As diligências se estenderam por diferentes pontos da cidade do Rio de Janeiro e por municípios da região metropolitana, incluindo São Gonçalo, Niterói, Magé, Itaboraí, Duque de Caxias, São João de Meriti e Queimados. Os cinco últimos municípios mencionados estão localizados na Baixada Fluminense, uma área historicamente desafiadora para a segurança pública.

Operação de grande porte contra o Comando Vermelho

A operação policial tem como múltiplos objetivos o combate a crimes de alta gravidade, como roubos de veículos e de carga, que impactam diretamente a economia e a segurança dos cidadãos. Além disso, busca-se conter a expansão territorial do Comando Vermelho, uma das principais facções criminosas do estado, que frequentemente disputa o controle de áreas com grupos rivais.

Entre as metas das equipes estão o cumprimento de mandados de prisão, a apreensão de armas e drogas, a recuperação de veículos roubados e a remoção de barricadas. Essas barreiras são comumente erguidas por traficantes para dificultar o acesso das forças policiais e de moradores às comunidades, criando um ambiente de insegurança e isolamento.

Resultados e apreensões em diversas comunidades

Durante as ações, foram registrados incidentes e apreensões em várias localidades. Na Cidade de Deus, na Zona Sudoeste do Rio, houve um confronto que resultou em dois homens baleados. Com eles, a Polícia Militar apreendeu uma pistola, uma granada, um radiotransmissor e uma mochila contendo entorpecentes. Os feridos foram prontamente socorridos e encaminhados ao Hospital Municipal Lourenço Jorge.

No Quitungo, comunidade de Brás de Pina, na Zona Norte, um homem foi detido sob suspeita de envolvimento na morte do sargento da PM Marco Antônio Matheus Maia, ocorrida em dezembro de 2024. A polícia apreendeu um fuzil AR-10 com o suspeito. Em outras frentes, como no Morro do Andaraí, também na Zona Norte, a ação visou conter disputas territoriais entre quadrilhas rivais, que têm gerado medo e instabilidade para os moradores.

No Complexo do Chapadão, outra área da Zona Norte conhecida por ser base de quadrilhas de roubo de carga, policiais realizaram a retirada de barricadas. Na Zona Oeste, em Vila Vintém, dois suspeitos foram presos. Adicionalmente, um fuzil foi apreendido nas comunidades da Coronel e da Nova Brasília, em Niterói, reforçando o esforço de desarmamento dos grupos criminosos.

Cenário de violência armada no Grande Rio

A intensificação das operações ocorre em um contexto de crescente violência armada na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. De acordo com dados do Instituto Fogo Cruzado, somente no mês de julho, a região registrou ao menos 34 tiroteios motivados por conflitos entre facções criminosas e milícias. Esse número representa o maior índice do ano e um aumento significativo, dobrando em relação ao mês de junho.

O cenário de confrontos frequentes e a disputa por territórios entre grupos armados têm gerado um ambiente de constante tensão, com impactos diretos na rotina e na segurança dos habitantes. A presença de barricadas e a ocorrência de tiroteios em áreas urbanas são reflexos dessa dinâmica complexa e violenta.

Impacto da violência em civis e dados alarmantes

A urgência dessas operações é sublinhada por incidentes recentes que expõem a vulnerabilidade da população civil. A ação coordenada da PMERJ foi deflagrada um dia após a fonoaudióloga Aline de Siqueira Affonso, de 53 anos, ter sido baleada dentro de um ônibus em Vicente de Carvalho, na Zona Norte, durante um confronto entre policiais militares e criminosos.

Segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado, a fonoaudióloga foi a milésima pessoa baleada no Grande Rio em 2026. O estudo detalha que, até 12 de agosto, 537 pessoas foram mortas e 463 ficaram feridas por disparos de arma de fogo na região metropolitana, o que corresponde a uma média alarmante de 30 pessoas baleadas por semana, ou quatro por dia.

Cerca de metade das vítimas, totalizando 509 pessoas, foi baleada durante operações policiais. O levantamento também aponta que 63 pessoas foram vítimas de balas perdidas em 2026, sendo 15 mortas e 48 feridas. Para Carlos Nhanga, coordenador do Fogo Cruzado, o caso da fonoaudióloga ilustra como a violência armada transcende os locais de confronto, impondo riscos severos a quem se desloca pela cidade, inclusive em transportes públicos.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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