A taxa de inadimplência da carteira de crédito no Brasil manteve-se em um patamar recorde de 4,7% em junho de 2026, conforme os dados mais recentes divulgados pelo Banco Central. Este índice representa o nível mais elevado registrado desde março de 2011, consolidando um cenário de deterioração observado nos últimos 15 anos no sistema financeiro nacional.
Embora o indicador tenha permanecido estável em comparação com o mês anterior, maio, a análise anual revela um aumento significativo de 1 ponto percentual. A persistência dessa alta taxa de inadimplência reflete desafios econômicos e impacta diretamente a saúde financeira de famílias e empresas em todo o país.
O cenário da inadimplência no crédito nacional
O índice de inadimplência, que monitora as operações de crédito com atraso superior a 90 dias, alcançou 4,7% em junho, mantendo o maior nível da série histórica iniciada em março de 2011. Os dados, apresentados no Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central, sublinham a gravidade da situação.
A estabilidade mensal não atenua a preocupação com o aumento de 1 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior, reforçando a tendência de elevação da inadimplência ao longo dos últimos doze meses. Este resultado marca o pior desempenho em uma década e meia para o setor de crédito.
Diferenças entre pessoas físicas e jurídicas
A pressão da inadimplência é sentida de forma distinta entre os segmentos. Para as pessoas físicas, o indicador permaneceu em 5,6% em junho, sem variação mensal, mas com um acréscimo de 1,2 ponto percentual em 12 meses. Este dado sugere que as famílias continuam a concentrar a maior parte da dificuldade em honrar seus compromissos financeiros.
No segmento das empresas, a taxa de inadimplência ficou em 3,2%, também estável em relação a maio, mas com um aumento de 0,5 ponto percentual na comparação anual. Embora menor que a das pessoas físicas, a elevação indica um desafio crescente para o setor corporativo.
Crédito livre e o aumento das taxas de juros
No segmento de crédito com recursos livres, onde as condições das operações são negociadas diretamente entre bancos e clientes, a inadimplência atingiu 6,2% da carteira total. Dentro deste segmento, as famílias enfrentam uma taxa ainda mais alta, de 7,6%, enquanto as empresas registram 4%.
Paralelamente, a taxa média de juros para novas concessões de crédito alcançou 33,4% ao ano em junho, um aumento de 1,5 ponto percentual em relação ao nível de 12 meses atrás. Este encarecimento do crédito adiciona uma camada de complexidade para devedores e para a recuperação econômica.
Expansão do crédito e endividamento familiar
Apesar do cenário de alta inadimplência, o volume total de crédito no Sistema Financeiro Nacional continuou a expandir. O saldo das operações atingiu R$ 7,4 trilhões em junho, representando um crescimento de 0,7% no mês e de 9,7% em comparação com o mesmo período de 2025.
O endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,8%, enquanto o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas subiu para 28,5%. Esses números indicam que uma parcela cada vez maior da renda familiar está sendo direcionada para o serviço da dívida, limitando o poder de consumo e investimento. Para mais informações sobre dados econômicos, consulte o Banco Central do Brasil.
Fonte: revistaoeste.com

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