Depoimento de Flávio Bolsonaro em inquérito de calúnia contra Lula é cancelado pela PF

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Depoimento de Flávio Bolsonaro em inquérito de calúnia contra Lula é cancelado pela PF

A Polícia Federal (PF) cancelou o depoimento do senador Flávio Bolsonaro, que também é pré-candidato à Presidência, em um inquérito que investiga uma suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão ocorreu após a defesa do parlamentar optar por encaminhar os esclarecimentos por escrito, solicitando que o documento substituísse a necessidade de comparecimento para a oitiva.

Este procedimento, que permite a apresentação de manifestações por escrito em substituição ao depoimento presencial, foi aceito pela corporação. O caso agora segue para análise do Supremo Tribunal Federal (STF), que dará os próximos passos na investigação.

Cancelamento da oitiva e a estratégia da defesa

A Polícia Federal confirmou que o senador foi devidamente intimado para prestar depoimento. No entanto, sua defesa optou por apresentar uma petição contendo os argumentos que considerava cabíveis para a sua defesa, manifestando a decisão de não participar da oitiva presencial.

Diante dessa manifestação, a PF cancelou a oitiva que estava agendada. Todo o material, incluindo a manifestação da defesa, foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o processo é conduzido.

A gênese do inquérito: denúncia e postagem controversa

O inquérito teve início a partir de uma representação apresentada pela deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. A parlamentar solicitou que a Polícia Federal investigasse uma publicação feita por Flávio Bolsonaro na rede social X.

A postagem em questão foi feita em 3 de janeiro de 2026. Nela, o senador compartilhou uma imagem do presidente Lula ao lado do ditador venezuelano Nicolás Maduro e escreveu que o presidente brasileiro seria “delatado”. Na sequência, Flávio Bolsonaro citou uma série de crimes, como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, apoio ao terrorismo, apoio a ditaduras e fraude eleitoral.

Análise da Polícia Federal e a contrarresposta legal

No mês anterior ao cancelamento do depoimento, a Polícia Federal já havia enviado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, a conclusão de que Flávio Bolsonaro teria caluniado o presidente Lula ao associá-lo ao crime de tráfico de drogas. A corporação afirmou que “fica claro, portanto, que o senador Flávio Bolsonaro, por meio de sua postagem, imputou falsamente ao presidente Lula o cometimento de crimes”.

Em sua manifestação por escrito, a defesa de Flávio Bolsonaro argumentou que não houve calúnia na publicação. Os advogados alegaram que a postagem reunia notícias verdadeiras sobre Maduro e “dois comentários separados e independentes entre si”. Segundo a defesa, o primeiro comentário era apenas uma previsão sobre algo que poderia ocorrer no futuro, sem atribuir ao presidente da República nenhum fato concreto. O segundo, por sua vez, referia-se a Nicolás Maduro e apenas repetia as acusações que a Justiça dos Estados Unidos lhe imputa formalmente. A manifestação foi assinada pelos advogados Tracy Reinaldet, Matteus Macedo e Leonardo Castegnaro.

Próximos passos: manifestação da PGR

Após o cancelamento do depoimento e o recebimento dos esclarecimentos da defesa, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre as informações apresentadas. A PGR terá a responsabilidade de avaliar se os argumentos e dados enviados pelo senador são suficientes para o prosseguimento da investigação ou se serão necessárias novas diligências para a elucidação dos fatos.

Fonte: revistaoeste.com

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