A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (15), a Operação Fantasma. A ação visa o cumprimento de ordens judiciais contra um grupo criminoso especializado em furtos de cargas de soja em uma fazenda localizada no município de Sapezal, a 480 quilômetros de Cuiabá.
As diligências foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo Tangará da Serra. A operação é conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), que investigam a logística por trás dos desvios de grãos.
Estrutura do esquema criminoso e logística de desvio
As investigações da GCCO/Draco mapearam dez episódios distintos de carregamento irregular de soja, registrados entre janeiro e agosto de 2026. O esquema contava com uma estrutura organizada, que envolvia a participação direta de funcionários da propriedade rural e colaboradores externos.
Os veículos entravam na fazenda e eram carregados com os grãos sem passar pelos protocolos de segurança e pesagem. A ausência de documentação e de liberação oficial permitia que a mercadoria fosse subtraída sem levantar suspeitas imediatas, configurando um desvio sistemático da produção.
Monitoramento e análise de evidências
Para desmantelar a organização, a polícia realizou um trabalho minucioso de inteligência. Foram analisadas imagens de câmeras de monitoramento, registros de áudio da guarita e leituras automatizadas de placas de veículos.
O cruzamento de dados operacionais, incluindo jornadas de trabalho e controles de acesso, revelou um padrão repetitivo. A investigação identificou que os mesmos veículos eram utilizados recorrentemente nos furtos, facilitando a identificação dos envolvidos e a dinâmica de atuação do grupo.
Ações policiais em Sapezal, Rondonópolis e Sinop
A operação cumpre cinco mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão. Além das prisões, a justiça determinou a apreensão de cinco conjuntos veiculares, incluindo caminhões-tratores e reboques, utilizados para o transporte da carga ilícita.
As ordens judiciais estão sendo executadas simultaneamente em Sapezal, Rondonópolis e Sinop. Em um dos episódios monitorados, ocorrido em 14 de agosto, a carga foi rastreada até Rondonópolis, onde foi apreendida e posteriormente restituída à empresa vítima, conforme reportado pelo Leiagora.
Objetivos da operação e continuidade das investigações
O foco atual das autoridades é a coleta de provas documentais e digitais. A busca por aparelhos celulares, computadores e registros de pagamentos visa esclarecer a destinação final da soja furtada e identificar outros possíveis coautores do crime.
A Polícia Civil reforça que o inquérito segue em andamento para individualizar as condutas dos suspeitos. A análise de comunicações interceptadas, que indicam tentativas de apagar conversas e coordenar pagamentos, é um dos pontos centrais para o avanço do caso.
Fonte: leiagora.com.br

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