O cantor e pecuarista Amado Rodrigues Batista foi alvo de uma operação de fiscalização ambiental que resultou em pesadas sanções administrativas. O artista recebeu uma multa de R$ 157.145,40 e teve uma área de 157,14 hectares embargada na Fazenda Esperança, localizada na zona rural de Cocalinho, a 765 km de Cuiabá, em Mato Grosso.
A ação foi conduzida pelo Comando de Policiamento Especializado da Polícia Militar Ambiental em conjunto com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT). A medida foi motivada pela detecção de supressão irregular de vegetação nativa, identificada por meio de monitoramento via satélite e confirmada por vistoria in loco realizada em agosto de 2024.
Monitoramento por satélite e vistoria técnica
A investigação teve início após alertas emitidos pela plataforma de monitoramento remoto Planet SCCON, que apontaram alterações significativas na cobertura vegetal da propriedade, um imóvel que abrange mais de 10,6 mil hectares. Peritos ambientais utilizaram séries temporais de imagens dos satélites Sentinel-2 para avaliar a perda de biomassa e a retirada de vegetação lenhosa entre julho e agosto de 2024.
Os dados técnicos revelaram que o índice de vegetação da área sofreu uma queda expressiva, passando de uma média histórica de 0,41 para 0,32. A vistoria física, realizada pela 3ª Companhia Independente de Polícia Militar de Proteção Ambiental, constatou a presença de restos de vegetação amontoados, marcas profundas de maquinário pesado e compactação do solo, evidenciando o uso de tratores de esteira na supressão da área.
Impacto ambiental no bioma Cerrado
Um dos pontos mais críticos do relatório técnico é que o desmatamento a corte raso atingiu um ambiente de varjão. Esta fitofisionomia é considerada extremamente sensível dentro do bioma Cerrado, caracterizada por solos hidromórficos e ciclos sazonais de alagamento. Embora a área estivesse registrada no Cadastro Ambiental Rural (CAR) como uso consolidado, os especialistas apontaram que o local estava em estágio avançado de regeneração natural.
Devido a essa condição, a intervenção exigiria uma licença específica da Sema-MT, o que não foi apresentado. Como consequência, foi aplicado o embargo imediato da área degradada. O cantor agora possui o prazo de 30 dias para apresentar um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), sob risco de sofrer novas sanções nas esferas cível e penal.
Histórico de infrações e fiscalizações
Esta não é a primeira vez que o artista enfrenta problemas relacionados à gestão de suas propriedades rurais. Em 2014, o cantor foi multado em R$ 1,24 milhão pelo Ibama devido a desmatamento ilegal constatado em uma de suas fazendas, também no município de Cocalinho. Além das questões ambientais, o nome de Amado Batista figurou em registros do Ministério do Trabalho e Emprego em 2024, após fiscalizações identificarem irregularidades trabalhistas, incluindo jornadas exaustivas e condições degradantes de alojamento em áreas rurais ligadas a ele.
Fonte: reportermt.com

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