Investigação aponta que filha de pastores mantinha relações com dois líderes de facção em MT

Investigação aponta que filha de pastores mantinha relações com dois líderes de facção em MT

Foto: Reprodução | Via: RéporterMT

Rhavenna Barcelos de Almeida foi presa na Operação Fariseus; Polícia Civil afirma que ela se relacionava com dois criminosos e recebia presentes, dinheiro e até um veículo

A investigação da Polícia Civil que resultou na prisão de Rhavenna Barcelos de Almeida, filha dos pastores Nivaldo de Almeida e Orminda de Almeida, aponta que ela mantinha relacionamentos com dois criminosos identificados como lideranças de uma facção com forte atuação em Mato Grosso.

Segundo informações divulgadas pelo Fantástico, os dois homens teriam dado à investigada joias, dinheiro e um veículo.

Rhavenna foi presa no âmbito da Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil em 16 de julho. De acordo com as investigações, ela utilizava a condição de missionária e a atuação em um projeto religioso de uma igreja evangélica para ter acesso a unidades prisionais de Mato Grosso, onde teria mantido contato com integrantes da facção.

Um dos homens com quem Rhavenna mantinha relacionamento era Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”. Ele estava preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, unidade onde a família da investigada atuava como missionária.

Segundo a Polícia Civil, Batman recebeu autorização para cumprir pena no regime semiaberto em setembro de 2024. Poucos dias depois, porém, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu para o Rio de Janeiro.

Os investigadores afirmam que Rhavenna mantinha contato frequente com Batman, sabia onde ele estava escondido e chegou a viajar para encontrá-lo.

Mensagens analisadas durante a investigação teriam revelado o compartilhamento de localização entre os dois e conversas relacionadas a operações policiais realizadas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. A polícia também aponta que a jovem teria participado de momentos de lazer na cidade, com despesas custeadas pelo grupo criminoso.

Segundo relacionamento

Além de Batman, a investigação identificou um relacionamento de Rhavenna com Renildo Silva Rios, apontado pela Polícia Civil como um dos fundadores de uma facção em Mato Grosso.

Renildo está preso há mais de 20 anos e responde por crimes como homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa. Mesmo detido, ele teria enviado presentes para Rhavenna, entre eles joias e um veículo.

Conversas obtidas pelos investigadores também indicariam que a jovem tinha conhecimento da posição de destaque ocupada por Renildo dentro da organização criminosa.

Fotos com armas e veículos de luxo

A Polícia Civil afirma que a proximidade de Rhavenna com integrantes da facção também teria resultado em uma rotina de ostentação.

Durante a investigação, foram apreendidos materiais que incluem fotos e vídeos em que a jovem aparece com armas, grandes quantias em dinheiro, joias e veículos de luxo.

Entre os veículos exibidos por Rhavenna nas redes sociais estava um Porsche avaliado em aproximadamente R$ 600 mil. Segundo os investigadores, o carro pertencia a Batman.

A apuração também identificou outras mulheres que frequentavam unidades prisionais como missionárias e que teriam mantido relacionamentos com integrantes da facção. Conforme a Polícia Civil, algumas chegaram a ser indiciadas por falso testemunho após prestarem declarações consideradas falsas durante a investigação.

Projeto religioso sob investigação

Rhavenna e os pais, os pastores Nivaldo e Orminda de Almeida, faziam parte de um grupo autorizado a prestar assistência religiosa dentro de presídios de Mato Grosso.

A Polícia Civil passou a investigar a família após receber informações sobre uma suposta ligação com integrantes de uma facção criminosa.

De acordo com a investigação, a atividade religiosa teria sido utilizada para facilitar o contato com criminosos presos e, entre outras suspeitas, permitir a transmissão de recados e movimentações financeiras.

Rhavenna, Orminda e Nivaldo foram inicialmente indiciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Justiça também determinou que os investigados e outras quatro pessoas citadas no inquérito fossem impedidos de participar de atividades de assistência religiosa dentro das unidades prisionais.

À reportagem do Fantástico, a defesa de Rhavenna negou as acusações e afirmou que os fatos serão esclarecidos durante o processo. A defesa de Orminda também declarou que ela não possui qualquer participação com a organização criminosa.

Nivaldo de Almeida morreu no dia 5 de setembro em decorrência de um câncer.

Fonte: RepórterMT

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