O estado de São Paulo registrou uma significativa redução no número de roubos de carga nos primeiros cinco meses deste ano. Dados compilados pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp) indicam uma queda de 34,3% nas ocorrências entre janeiro e maio. No período analisado, foram contabilizados 1.060 roubos, em comparação com 1.613 casos registrados nos cinco primeiros meses de 2025, o ano anterior.
Apesar da diminuição dos incidentes, o setor de transporte rodoviário de cargas continua a enfrentar o crime como um dos seus principais obstáculos operacionais. A persistência dessa ameaça exige que as empresas mantenham um alto nível de vigilância e investimento em medidas preventivas, mesmo diante de estatísticas mais favoráveis, sublinhando que a luta contra o crime organizado no transporte de mercadorias é uma batalha contínua.
Análise da queda mensal nos registros de roubo
A análise detalhada do Setcesp revela que a redução nos roubos de carga foi consistente em todos os meses do período. Em janeiro, foram 350 registros, representando uma queda de 27,4% em relação ao ano anterior. Fevereiro apresentou uma diminuição ainda mais acentuada, com o total de casos recuando de 319 para 199, uma redução de 37,6%.
Março encerrou com 206 ocorrências, contra 302 no mesmo mês do ano anterior, enquanto abril registrou uma queda de 36,8%. Em maio, o número de roubos foi de 193, em contraste com os 308 contabilizados em 2025, o que reforça a tendência de declínio observada ao longo do quadrimestre e aponta para uma possível melhoria na segurança das rodovias paulistas.
Investimentos contínuos em segurança do transporte
Marcelo Rodrigues, presidente do Setcesp, enfatiza que, apesar da melhora nos índices, as empresas de transporte não relaxaram suas estratégias de segurança. Ele afirma que uma parcela considerável do faturamento é continuamente direcionada para a prevenção de crimes, incluindo gerenciamento de risco, sistemas de rastreamento de cargas, escolta armada e contratação de seguros específicos para mitigar perdas e garantir a continuidade das operações.
Há décadas, as transportadoras investem até 15% de sua receita em ações destinadas a mitigar os riscos de roubo. Na visão do dirigente, a queda nos registros reflete uma atuação mais eficaz das forças de segurança pública, mas não elimina a necessidade desses investimentos privados, que são cruciais para a proteção das mercadorias e dos profissionais envolvidos no transporte, garantindo a integridade da cadeia logística.
Impacto econômico e perfil das mercadorias visadas
O roubo de cargas representa um prejuízo financeiro substancial para a economia brasileira, afetando diretamente a rentabilidade das empresas e, indiretamente, os custos dos produtos para o consumidor final. Um levantamento da NTC & Logística estima que o setor sofreu perdas de R$ 1,2 bilhão em 2025 devido a esses crimes. A concentração das ocorrências é notável, com 87% dos casos registrados na Região Sudeste, destacando-se os estados de São Paulo e Rio de Janeiro como os mais críticos.
Os criminosos frequentemente visam mercadorias de alto valor comercial e fácil revenda no mercado ilegal, o que maximiza seus lucros e dificulta a recuperação dos bens. Entre os produtos mais cobiçados estão alimentos, fios e cabos, combustíveis, medicamentos e eletrônicos. Essa seletividade exige que as transportadoras adaptem suas estratégias de segurança conforme o tipo de carga transportada, implementando medidas específicas para cada categoria.
Luigi Rosolen, diretor da transportadora West Cargo, ressalta que os números oficiais de roubos não incluem as inúmeras tentativas frustradas pelas empresas, que são impedidas diariamente por sistemas de segurança avançados. Ele explica que uma parte significativa das ações criminosas é barrada graças aos robustos sistemas de segurança e protocolos adotados pelas transportadoras, evidenciando o esforço contínuo do setor.
Na West Cargo, por exemplo, aproximadamente 30% dos custos operacionais são alocados para ações de prevenção. Isso abrange desde o treinamento rigoroso das equipes até o monitoramento constante das cargas e um gerenciamento de risco apurado, visando minimizar a exposição a ataques durante todo o percurso de transporte e proteger tanto a carga quanto a vida dos motoristas.
Fonte: revistaoeste.com

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