PF apura venda de fazenda de empresa de Ciro Nogueira a offshore nos Emirados

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Foto: Arquivo/Agência Brasil

Uma empresa com vínculos diretos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) realizou a venda de uma fazenda avaliada em R$ 18,7 milhões, localizada no município de Pedro II, no Piauí, para uma companhia offshore sediada nos Emirados Árabes Unidos. A transação, ocorrida em março de 2025, levanta questões sobre a transparência e as conexões por trás da operação, especialmente porque a empresa compradora foi estabelecida pouco antes da negociação e tem representação de um advogado com laços próximos ao parlamentar.

Este negócio se insere em um contexto de investigações mais amplas conduzidas pela Polícia Federal, que apuram movimentações financeiras envolvendo o senador e outras empresas. A complexidade da estrutura da compradora e as ligações dos envolvidos adicionam camadas de interesse jornalístico e público sobre a natureza dessas transações.

A Complexa Transação Imobiliária e a Offshore Misteriosa

A propriedade rural foi adquirida pela Arraf International, uma offshore que surgiu apenas dois meses antes da formalização da venda em março de 2025. A sede da Arraf International está registrada em uma caixa postal na zona franca do aeroporto de Sharjah, uma cidade próxima a Dubai. A legislação dos Emirados Árabes Unidos, conforme apontado por reportagens, restringe o acesso público aos dados dos proprietários dessas empresas, o que impede a identificação do beneficiário final da transação.

A venda da fazenda, que pertencia à Fazendas Reunidas Nogueira Lima, empresa na qual Ciro Nogueira detém 99% do capital, foi um dos pontos de atenção. A representação da offshore na assinatura dos documentos ficou a cargo do advogado Gustavo Frazão, figura que possui outras conexões com o círculo do senador.

Conexões Familiares e a Atuação do Advogado

O advogado Gustavo Frazão, que assinou os papéis em nome da Arraf International, tem um histórico de atuação em mais de 20 processos para outra empresa também ligada ao senador Ciro Nogueira. Além disso, Frazão ocupa um cargo comissionado na Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas de Teresina, pasta que é comandada por Eliane Nogueira Lima, mãe do parlamentar. Essa rede de relacionamentos profissionais e familiares sublinha a proximidade entre os atores envolvidos na transação.

Na escritura de venda da fazenda, a Fazendas Reunidas Nogueira Lima foi representada por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador. Raimundo também se encontra sob investigação da Polícia Federal no mesmo inquérito que apura as atividades de Ciro Nogueira, evidenciando um escopo mais amplo das apurações.

O Senador Ciro Nogueira e as Investigações da Polícia Federal

A venda da fazenda ocorreu em um período crítico, sob o escrutínio da Polícia Federal. As investigações se concentram em um caso que envolve o empresário Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. A corporação apura a transferência de pelo menos R$ 6 milhões de empresas ligadas ao banqueiro para o senador entre os anos de 2024 e 2025. A coincidência temporal entre a transação da fazenda e as investigações adiciona relevância ao caso.

Por meio de sua assessoria, Ciro Nogueira negou possuir empresas fora do Brasil e afirmou que a Fazendas Reunidas Nogueira Lima pertence à sua mãe. No entanto, documentos da investigação indicam que o senador detém a maior parte do capital social da empresa, o que gera um contraste com suas declarações públicas.

Outras Negociações Suspeitas em Paraísos Fiscais

A análise de documentos revelou um padrão de transações semelhantes envolvendo empresas ligadas ao senador e offshores em paraísos fiscais. Em abril de 2025, por exemplo, a empresa CNLF, também vinculada a Ciro Nogueira, vendeu um apartamento no Jardim Paulista, em São Paulo, por R$ 6,5 milhões. O comprador foi uma empresa controlada por uma offshore registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, outro território conhecido pela opacidade de suas regulamentações financeiras.

Essas operações, que envolvem a venda de bens significativos para entidades sediadas em jurisdições com baixa transparência, são frequentemente examinadas por autoridades reguladoras e investigativas devido ao potencial de ocultação de ativos ou lavagem de dinheiro. A recorrência dessas transações reforça a necessidade de um olhar atento sobre a origem e o destino dos recursos envolvidos. Para mais informações sobre investigações de alto perfil, clique aqui.

Fonte: revistaoeste.com

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