Um relatório recente do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) lançou luz sobre um conjunto de atos, políticas e práticas do Brasil que são classificadas como “irrazoáveis” ou “discriminatórias”. Este documento serve como justificativa para a possibilidade de imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros, gerando um cenário de tensão nas relações comerciais entre os dois países. Na visão do governo norte-americano, tais medidas brasileiras impactam negativamente o comércio dos Estados Unidos, resultando em prejuízos para empresas, investimentos e exportações daquele país.
A investigação do USTR abrangeu diversas áreas críticas, incluindo o comércio digital e os serviços de pagamentos eletrônicos, como o Pix, a concessão de tarifas preferenciais, a proteção da propriedade intelectual, o combate à corrupção, o acesso ao mercado de etanol e, por fim, a questão do desmatamento ilegal. Cada um desses pontos foi detalhado no relatório, que busca fundamentar a posição dos EUA sobre a necessidade de reavaliar as relações comerciais.
As práticas brasileiras no comércio digital e serviços de pagamento
O USTR aponta que tribunais brasileiros teriam emitido “ordens secretas” para empresas americanas de mídia social. Essas determinações exigiriam a remoção de conteúdos políticos específicos e a suspensão de perfis de residentes nos EUA, por vezes com alcance global, além de proibir que as plataformas divulgassem essas ordens aos proprietários dos perfis afetados. O relatório detalha que as empresas americanas foram responsabilizadas financeiramente pelo descumprimento, com multas significativas, restrições de acesso a ativos e sistemas de pagamento no Brasil, e até o fechamento completo de um site em um dos casos citados.
Adicionalmente, o documento sugere que o Brasil estaria prejudicando injustamente empresas americanas que operam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, através de políticas que favorecem um concorrente principal local. Essa avaliação levanta preocupações sobre a equidade do ambiente de negócios no setor de tecnologia e serviços financeiros.
Disparidade tarifária e proteção da propriedade intelectual
Outro ponto levantado pelo relatório refere-se às tarifas preferenciais. O Brasil concede um tratamento tarifário preferencial mais baixo a centenas de produtos oriundos do México e da Índia. Essa prática ocorre em virtude de acordos comerciais preferenciais de escopo parcial, que abrangem setores onde esses países são produtores avançados e globalmente competitivos, o que, na visão do USTR, cria uma disparidade e desvantagem para produtos americanos.
No campo da propriedade intelectual, o documento critica a aplicação insuficiente das leis penais e regulamentações aduaneiras brasileiras no combate à falsificação de produtos. Além disso, o USTR destaca o tempo excessivo que as autoridades brasileiras levam para examinar pedidos de patentes, especialmente as biofarmacêuticas, e a falta de implementação de medidas antipirataria consistentes e contínuas, o que poderia impactar a inovação e o investimento estrangeiro.
Desafios na governança: corrupção e desmatamento ilegal
A questão da governança também é abordada, com o USTR afirmando que o Brasil “não adota medidas suficientes para combater o suborno e a corrupção”, um ponto crítico para a confiança nos ambientes de negócios e para a integridade das transações comerciais. Essa falha é vista como um obstáculo à transparência e à concorrência leal.
Em relação ao meio ambiente, o relatório, embora reconheça a existência de um marco legal brasileiro para combater o desmatamento ilegal, ressalta um histórico de falhas na sua aplicação eficaz. A conclusão é que o “desmatamento ilegal persiste”, indicando uma preocupação contínua com a sustentabilidade e a conformidade ambiental, fatores que cada vez mais influenciam as decisões comerciais internacionais.
Mercado de etanol: fim do tratamento tarifário equilibrado
No que tange ao acesso ao mercado de etanol, o relatório do USTR argumenta que o Brasil interrompeu “abruptamente” em 2017 o tratamento tarifário equilibrado que anteriormente aplicava ao produto. Desde então, o país não estaria oferecendo um tratamento tarifário recíproco às exportações de etanol provenientes dos Estados Unidos. Essa mudança de política é vista como um obstáculo ao comércio bilateral e uma das justificativas para a possível imposição de tarifas retaliatórias, afetando um setor importante para ambos os países.
Para mais detalhes sobre o relatório, consulte a publicação oficial do USTR.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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