Estudo revela que quase 40% dos policiais militares do Rio utilizam medicamentos psiquiátricos

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Foto: Reprodução/Polícia Militar do Rio de Janeiro

Um levantamento recente conduzido pelo Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) trouxe à tona dados alarmantes sobre a saúde mental dos agentes de segurança pública. A pesquisa indica que quase quatro em cada dez policiais militares fluminenses recorrem a medicamentos psicotrópicos para lidar com transtornos como ansiedade, depressão e insônia. O cenário reflete a pressão constante e os riscos inerentes à atividade policial no estado.

O estudo, intitulado “Sofrimento psíquico, riscos psicossociais e uso de psicofármacos na Polícia Militar do Rio de Janeiro: resultado de um estudo multicategorial”, associa diretamente o consumo dessas substâncias ao desgaste mental severo enfrentado pela tropa. A síndrome de burnout, caracterizada pelo esgotamento profissional extremo, é apontada como um dos principais gatilhos para a busca por auxílio farmacológico dentro da corporação.

Saúde mental e o consumo de psicofármacos na corporação

De acordo com os dados coletados entre setembro de 2025 e junho de 2026, exatamente 39,7% dos 2.688 policiais entrevistados afirmaram utilizar psicofármacos. O levantamento abrangeu diferentes patentes, demonstrando que o problema atinge diversos níveis da hierarquia militar. O cenário torna-se ainda mais complexo ao observar que 15,2% desses agentes fazem uso contínuo das medicações há mais de três anos.

A pesquisa da Uerj destaca que a rotina de violência e a carga horária extenuante contribuem para a deterioração do bem-estar psicológico. Os pesquisadores identificaram que a necessidade de manter o estado de alerta constante gera um ciclo de estresse que muitas vezes só é mitigado por meio de intervenção medicamentosa. A cronicidade do uso aponta para uma dependência estrutural de substâncias para a manutenção das atividades diárias.

Perfil do uso de medicamentos e a falta de acompanhamento

Um ponto crítico revelado pelos especialistas é a forma como esses medicamentos são obtidos e administrados pelos policiais. Apenas 21% dos usuários afirmaram que o consumo ocorre sob recomendação direta de um psiquiatra. Esse dado levanta preocupações sobre a automedicação ou o acompanhamento médico insuficiente, o que pode agravar quadros clínicos preexistentes ou gerar efeitos colaterais inesperados.

O estudo contou com uma equipe multidisciplinar de 16 autores, incluindo médicos, psicólogos, enfermeiros, estatísticos e engenheiros. Essa diversidade técnica permitiu uma análise profunda sobre os riscos psicossociais aos quais os militares estão expostos. A falta de um suporte institucional robusto para a saúde mental parece empurrar os agentes para soluções paliativas e individuais.

Sintomas de dependência e os principais remédios utilizados

Entre as substâncias mais citadas no levantamento, os ansiolíticos lideram a lista de consumo entre os policiais militares. O Clonazepam é o medicamento mais utilizado, presente em 22,2% dos relatos, seguido pelo Alprazolam (16,3%) e pelo Diazepam (9,6%). No campo dos antidepressivos, o cloridrato de fluoxetina aparece com 14,5%, enquanto o indutor de sono Hemitartarato de Zolpidem registrou 7,7%.

O levantamento também identificou sinais preocupantes de dependência química e sofrimento psicológico associados ao tratamento. Cerca de 22,1% dos policiais que utilizam os remédios relataram apresentar sintomas de abstinência ao tentar interromper o uso. Além disso, 16,5% dos entrevistados confessaram sentir culpa pelo consumo das substâncias, evidenciando o estigma que ainda envolve o cuidado com a mente na segurança pública.

Metodologia e abrangência do levantamento acadêmico

A metodologia aplicada buscou entender não apenas a quantidade de medicamentos ingeridos, mas o contexto social e profissional que envolve o policial. A investigação focou nos impactos da síndrome de burnout e nos riscos psicossociais que permeiam o cotidiano das delegacias e patrulhamentos. A amostra de mais de 2,6 mil agentes oferece uma base estatística sólida para a formulação de novas políticas públicas.

Os resultados sugerem a urgência de programas de prevenção e tratamento voltados especificamente para a saúde mental da Polícia Militar. O sofrimento psíquico, quando não tratado adequadamente, não afeta apenas o indivíduo, mas compromete a eficiência do serviço prestado à sociedade e a segurança dos próprios colegas de farda. O estudo serve como um alerta para as autoridades sobre a necessidade de humanizar as condições de trabalho na segurança.

Fonte: revistaoeste.com

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