Diálogos revelam pedido de empréstimo do Banco Master por Hugo Motta à cunhada

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Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) encontrou no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, diálogos que indicam uma possível solicitação de empréstimo por parte do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), em favor de uma empresa de sua cunhada. As conversas, reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo, teriam ocorrido antes de Motta assumir a presidência da Câmara, levantando questionamentos sobre a influência e a natureza da operação financeira.

A investigação aponta que a transação envolveria um financiamento significativo do Banco Master, com implicações que agora são detalhadamente analisadas pelas autoridades. Este caso se insere em um contexto mais amplo de apurações que buscam desvendar possíveis relações indevidas entre figuras políticas e instituições financeiras.

A Origem da Investigação e o Pedido de Empréstimo Master

As mensagens encontradas no aparelho de Daniel Vorcaro são o cerne da investigação. Fontes com acesso aos detalhes indicam que Hugo Motta teria pedido diretamente ao banqueiro a liberação de um financiamento de pelo menos R$ 22 milhões. O valor seria destinado a Bianca Medeiros, irmã da esposa de Motta, Luana Motta, para a aquisição de um terreno em João Pessoa, capital da Paraíba, onde há planos de construção de um novo bairro.

A cronologia dos eventos é crucial: os diálogos precedem a ascensão de Motta à presidência da Câmara dos Deputados. Este detalhe é um dos pontos de interesse da Polícia Federal, que busca entender a dinâmica e as motivações por trás da suposta intermediação do parlamentar na obtenção do crédito junto ao Banco Master.

A Defesa de Hugo Motta e a Legalidade da Operação

Questionado pelo Estadão sobre sua participação na obtenção do empréstimo, Hugo Motta não respondeu de forma direta se atuou para a liberação do crédito. Contudo, em suas declarações, o deputado reiterou a legalidade da operação. “Não tem ilegalidade de nada nisso”, afirmou, defendendo que a empresa de sua cunhada possuía as garantias necessárias para obter o financiamento e que o Banco Master operava dentro da normalidade à época.

Motta também enfatizou que o empréstimo Master está sendo devidamente quitado pela empresa beneficiária. A defesa do parlamentar baseia-se na regularidade dos trâmites bancários e na existência de garantias que justificariam a concessão do financiamento, desvinculando qualquer ação pessoal de sua parte de uma possível irregularidade.

Conexões e Outras Suspeitas na Operação Compliance Zero

A Polícia Federal, por meio de relatórios internos, tem analisado a fundo a relação entre Hugo Motta e Daniel Vorcaro, no âmbito da Operação Compliance Zero. Um dos pontos investigados é a possível ligação entre o empréstimo concedido pelo Banco Master e uma emenda parlamentar apresentada por Motta. Essa emenda visava obrigar seguradoras e instituições financeiras a investir em créditos de carbono, um mecanismo que remunera iniciativas de redução de emissões de gases de efeito estufa.

A PF suspeita que tal medida legislativa poderia beneficiar negócios ligados à família de Vorcaro, configurando um potencial conflito de interesses. A reportagem da Revista Oeste já havia abordado o caso em maio, destacando os “tentáculos do Master” e as diversas conexões que vêm sendo desvendadas pelas investigações.

Viagens e Outras Referências no Material Apreendido

Além do empréstimo Master, as investigações da Polícia Federal identificaram outras referências a Hugo Motta no material apreendido com o banqueiro. Documentos e mensagens analisados pelos investigadores apontam que Vorcaro teria custeado despesas do deputado e do senador Ciro Nogueira (PP-PI) em uma viagem a Lisboa, ocorrida em 2024. Os registros indicam o pagamento de cinco diárias de hotel para cada parlamentar.

Sobre a viagem, Motta declarou ao Estadão que viajou no avião de Vorcaro a convite de Ciro Nogueira. As diversas frentes de apuração da PF buscam traçar um panorama completo das interações entre os políticos e o banqueiro, avaliando a legalidade e a ética de cada uma das situações reveladas.

Fonte: revistaoeste.com

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