Julgamento da morte de Henry Borel entra no sétimo dia com foco em testemunhas de defesa

Início » Julgamento da morte de Henry Borel entra no sétimo dia com foco em testemunhas de defesa
© Tomaz Silva/Agência Brasil
© Tomaz Silva/Agência Brasil

O caso que chocou o país, envolvendo a morte do menino Henry Borel, de apenas 4 anos, alcançou seu sétimo dia de julgamento neste domingo. No centro das atenções do Tribunal do Júri, estão o ex-vereador Jairo Souza Santos e a professora Monique Medeiros, padrasto e mãe da criança, respectivamente, ambos acusados pelo crime. A sessão atual marca a fase de oitiva das testemunhas de defesa, um momento crucial para os réus apresentarem sua versão dos fatos e contestarem as acusações.

Presidido pela juíza Elizabeth Machado Louro, o processo judicial tem se estendido, com a expectativa de que os trabalhos continuem ao longo da semana. A complexidade do caso e a quantidade de depoimentos e provas a serem analisados indicam a profundidade da investigação e a busca por justiça para o pequeno Henry.

Defesa apresenta testemunhas e busca reverter acusações

A fase de depoimentos das testemunhas de defesa teve início no sábado e prosseguiu neste domingo, com foco em indivíduos que buscam corroborar a inocência dos acusados ou, ao menos, lançar dúvidas sobre a narrativa da acusação. Entre os ouvidos, destacou-se o engenheiro Bryan Medeiros da Costa Silva, irmão de Monique, considerado a principal testemunha da defesa dela.

Durante mais de oito horas, Bryan Medeiros respondeu a questionamentos da juíza, das defesas e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Ele descreveu a irmã como uma mãe zelosa e trabalhadora, que sempre esteve presente na vida de Henry e de seu ex-marido, Leniel Borel, pai da criança. O depoimento buscou pintar um quadro de normalidade e afeto no convívio familiar.

Depoimento do irmão de Monique Medeiros detalha convívio familiar

Bryan Medeiros também abordou o relacionamento de Monique com Jairo, mencionando que o casal se conheceu pela internet e que o ex-vereador era inicialmente percebido como gentil. Segundo ele, nenhum familiar desconfiou de possíveis agressões por parte de Jairo, que é denunciado por ter causado a morte do menino. Monique, por sua vez, é acusada de tortura e participação no homicídio por omissão.

Um ponto relevante do depoimento foi a alegação de que Jairo teria tentado persuadir Monique a mentir sobre os eventos que precederam a morte de Henry, após a divulgação dos laudos periciais. Essa tentativa de manipulação, segundo Bryan, levou a família a buscar uma defesa separada para Monique. Ele reiterou que a prioridade de Monique sempre foi o filho, e que ela jamais permitiria qualquer agressão contra ele.

Acusação contesta versão da defesa e reitera provas

Apesar dos esforços da defesa, a acusação, representada pelo Ministério Público e pelos advogados do pai de Henry, Leniel Borel, mantém sua postura. O advogado Cristiano Medeiros, assistente da acusação, afirmou que o depoimento de Bryan não altera o conjunto probatório do processo. Ele argumenta que a testemunha não presenciou os fatos e baseia suas declarações em informações recebidas de Monique após sua prisão, o que, para a acusação, seria uma tentativa de construir uma versão defensiva.

A acusação enfatiza que documentos e laudos periciais comprovam que Henry sofreu lesões graves enquanto estava sob os cuidados da mãe e do padrasto. Essas evidências, segundo os advogados, são robustas e contradizem a narrativa apresentada pela defesa, reforçando a tese de homicídio e tortura.

O julgamento e a controvérsia dos laudos periciais

A defesa de Jairo tem argumentado que a laceração hepática, apontada como causa da hemorragia e morte de Henry pelo laudo pericial, poderia ter sido provocada pelas manobras de ressuscitação no hospital. Contudo, essa tese foi rebatida em julgamento pelo médico-legista Luiz Carlos Leal Preste.

Outro legista, Luiz Airton Saveedra de Paiva, detalhou que Henry apresentava três traumatismos em diferentes locais da cabeça, resultando no descolamento do couro cabeludo. Ele também mencionou contusões nos pulmões e hemorragia retroaórtica no tórax, além da hemorragia peritoneal no abdômen, que foi a causa do óbito. Saveedra afirmou categoricamente que Henry já estava sem vida ao chegar ao hospital. O delegado Henrique Damasceno, responsável pelo caso, confirmou que Jairo tentou pressionar a unidade de saúde para que atestasse a morte sem encaminhar o corpo ao Instituto Médico Legal (IML) para perícia, conforme relatado em depoimento.

Relembrando o caso: os crimes imputados aos réus

O trágico desfecho do caso remonta à madrugada de 8 de março de 2021, quando, conforme a denúncia, Jairo Souza Santos teria espancado o menino Henry até a morte. Monique Medeiros é acusada de omissão, permitindo que o crime ocorresse. O Ministério Público aponta que, em outras três ocasiões em fevereiro de 2021, Jairo já havia submetido a criança a sofrimento físico e mental por meio de violência.

Jairo enfrenta acusações de homicídio qualificado por meio cruel que impossibilitou a defesa da vítima, três torturas praticadas contra criança, fraude processual e coação no curso do processo, entre outros crimes. Monique responde por sete crimes, incluindo homicídio por omissão qualificado e omissão. O julgamento busca esclarecer os fatos e determinar a responsabilidade dos réus diante das graves acusações.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Deixe um comentário

Your email address will not be published.