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Irã se mobiliza em memória de líder supremo Khamenei após 40 dias de sua morte

Irã se mobiliza em memória de líder supremo Khamenei após 40 dias de sua morte
  • Publishedabril 9, 2026

Multidões massivas tomaram as ruas em diversas cidades do Irã nesta quinta-feira, marcando o 40º dia do assassinato do líder supremo da República Islâmica, Seyyed Ali Khamenei. Sua morte ocorreu em um bombardeio atribuído a Israel e aos Estados Unidos no primeiro dia de um conflito em andamento. Os atos de luto e apoio ao regime foram amplamente cobertos pela imprensa iraniana, destacando a mobilização popular em um momento de intensa tensão geopolítica.

As manifestações não apenas prestaram homenagem a Khamenei, mas também recordaram outros altos dirigentes políticos e militares que perderam a vida nos quase 40 dias de guerra, além de 168 meninas mortas em um ataque a uma escola em Minab. A comoção nacional sublinha a complexidade da sociedade iraniana e a resiliência diante das agressões externas.

Mobilização Nacional e Símbolos de Resistência

A procissão fúnebre teve início pela manhã, com participantes marchando da Praça Jomhouri até o local onde o aiatolá Khamenei foi assassinado, conforme reportado pela mídia estatal Press TV. Homenagens semelhantes foram realizadas em centenas de cidades por todo o país, estendendo-se até a noite. Vídeos divulgados por emissoras locais mostram milhares de pessoas em marcha, portando bandeiras do Irã e imagens das principais lideranças, bem como das crianças vítimas do ataque à escola.

Esses atos públicos servem como uma poderosa demonstração de unidade e desafio. Em meio ao luto, a população expressa solidariedade e reafirma seu apoio ao regime, transformando a dor da perda em um catalisador para a coesão nacional contra as potências ocidentais.

Apoio Popular em Meio a Divisões Sociais

Apesar de uma oposição significativa à República Islâmica, o antropólogo Paulo Hilu, coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio da Universidade Federal Fluminense (UFF), ressalta a existência de uma base de sustentação substancial para o regime. Ele explica que setores da sociedade iraniana estão ideológica, política ou pessoalmente ligados à manutenção da República Islâmica, indicando que a sociedade é dividida, mas não unanimemente contra o governo.

O especialista também observa que a agressão externa contra o Irã tem levado até mesmo críticos do regime a priorizar a defesa nacional. Em momentos de conflito, a necessidade de proteger o país de uma invasão estrangeira ou de uma destruição total supera as divergências internas, unindo a população em torno da defesa do Estado.

O Legado do Conflito e a Sucessão de Liderança

A guerra em curso tem um custo humano devastador. Mais de 3 mil pessoas foram mortas pelos ataques israelenses-estadunidenses no Irã, segundo a Organização de Medicina Forense do Irã, com 40% das vítimas ainda não identificadas. Essa tragédia humana intensifica o sentimento de luto e a determinação por justiça.

Em meio a esse cenário, o aiatolá Mojtaba Khamenei sucedeu seu pai, Ali Khamenei, como Líder Supremo. Ele prometeu vingança pelo “sangue de seus mártires”, incluindo seu pai e familiares mortos em um ataque anterior. As autoridades iranianas destacam que Ali Khamenei escolheu o caminho do martírio, recusando-se a buscar abrigos subterrâneos e sendo alvejado em sua própria residência, um ato que na cultura política do islã xiita é visto como motivo de honra e glória.

O Papel do Líder Supremo e a Gênese da República Islâmica

No Irã, a figura do Líder Supremo é central para a estrutura de poder. Ele é eleito pela Assembleia dos Especialistas, composta por 88 clérigos religiosos escolhidos por voto popular. Embora o cargo seja vitalício, a Constituição iraniana permite que a Assembleia destitua o Líder Supremo, conferindo um mecanismo de controle sobre essa posição de grande autoridade.

Ali Khamenei ocupou o cargo por 36 anos, estando no topo da estrutura de poder que inclui o Executivo, o Parlamento, o Judiciário e o Conselho dos Guardiões. Este último é formado por seis membros indicados pelo Líder Supremo e seis pelo Parlamento. O Líder Supremo atua como um Poder Moderador, com as Forças Armadas diretamente ligadas a ele, e não ao Executivo, o que lhe confere um controle significativo sobre a segurança e a política externa do país. A República Islâmica do Irã foi estabelecida em 1979, após uma revolução que derrubou a dinastia Pahlavi, aliada das potências ocidentais, marcando o início das hostilidades atuais entre os EUA e o Irã.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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