Empresário fez série de saques abaixo de R$ 50 mil para evitar alerta ao Coaf

Empresário fez série de saques abaixo de R$ 50 mil para evitar alerta ao Coaf

Investigado na Operação Gorjeta, João Nery Chiroli retirou R$ 295 mil em espécie em apenas 20 dias

Foto: PJC-MT | DO: MIDIANEWS

O empresário João Nery Chiroli, investigado por suposto envolvimento em um esquema de desvio de emendas parlamentares, realizou oito saques em dinheiro vivo que somaram R$ 295 mil em um intervalo de apenas 20 dias. As retiradas foram feitas da conta da empresa Sem Limite Esporte e Eventos (Chiroli Esportes) e constam em relatório da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor).

De acordo com a investigação, os saques ocorreram entre 9 e 29 de abril, logo após a empresa receber R$ 1,29 milhão do Instituto Brasil Central (Ibrace), entidade também alvo da operação. O valor foi transferido em três repasses: R$ 580 mil, R$ 387 mil e R$ 326 mil, provenientes de emendas parlamentares que totalizaram R$ 1,35 milhão.

A Deccor aponta que os saques foram feitos de forma fracionada, todos abaixo de R$ 50 mil, o que pode indicar tentativa de escapar da comunicação automática de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

“A concentração das operações em curto período, com valores estrategicamente fixados abaixo de R$ 50 mil, evidencia possível tentativa deliberada de burlar mecanismos de controle”, destacou a delegacia no relatório.

Ainda segundo a especializada, a movimentação em espécie e o padrão de dispersão dos recursos são indícios de lavagem de dinheiro, tendo como crime antecedente, em tese, o peculato.


Caminho do dinheiro

As investigações indicam que as emendas parlamentares eram oficialmente destinadas ao Ibrace para custear eventos esportivos. No entanto, segundo a apuração, quem executava de fato os eventos era a empresa Chiroli Esportes, comandada por João Chiroli, que atuaria informalmente em nome da entidade e, depois, redistribuía os valores recebidos.

Além dos saques, a Deccor identificou outras movimentações consideradas suspeitas:

  • R$ 178 mil transferidos para a Chiroli Uniformes, empresa que tem como sócia Magali Gauna Felismino Chiroli, esposa do empresário;
  • R$ 142 mil repassados ao presidente do Ibrace, Alex Jony Silva;
  • R$ 20 mil enviados ao pedreiro Jovani José de Almeida.

O Coaf classificou como atípicas as transferências para a Chiroli Uniformes, apontando que a empresa não possui estrutura física identificada e apresentaria indícios de existir apenas formalmente. Os valores foram divididos em dois grupos de operações: sete transferências que somaram R$ 108 mil e outras duas que totalizaram R$ 70 mil.


A operação

Operação Gorjeta, deflagrada na terça-feira (27), também teve como alvos o vereador Chico 2000 (sem partido) — afastado do cargo —, seu chefe de gabinete Rubens Vuolo Júnior, o assessor parlamentar Joacyr Conceição Silva (ligado ao vereador Mário Nadaf, PV) e o presidente do Ibrace, Alex Jones Silva.

Ao todo, foram cumpridas 75 ordens judiciais, incluindo:

  • 12 mandados de busca e apreensão
  • 12 quebras de dados telemáticos
  • Bloqueio de R$ 676.042,32 em contas de investigados
  • Sequestro de veículos, imóveis e uma embarcação

A Justiça também determinou a suspensão das funções públicas de Rubens Vuolo Júnior e Joacyr Silva.

Além disso, foi proibido que os investigados acessem a Câmara de Cuiabá, a Secretaria Municipal de Esportes e a sede do Ibrace, bem como mantenham contato entre si ou com testemunhas do caso.

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