VIA: FOLHAMAX
Chico 2000 é investigado por suspeita de receber propina em esquema com emendas
A decisão que autorizou a Operação Gorjeta revelou que o empresário João Nery Chiroli sacou R$ 295 mil em espécie no intervalo de apenas 20 dias. O despacho é do juiz Cássio Leite de Barros Neto, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cuiabá, que também negou o pedido de prisão preventiva do vereador Francisco Carlos Amorim Silveira, o Chico 2000, apontado como principal alvo da investigação.
A operação foi deflagrada na terça-feira (27) pela Polícia Civil e apura um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares que soma R$ 676 mil. Além do vereador, foram alvos o chefe de gabinete Rubens Vuolo Júnior, o empresário João Chiroli, a esposa dele Magali Chiroli, Joaci Conceição Silva, o presidente do Ibrace Alex Jony Silva, Michelle Cruz Silveira, empresas ligadas ao grupo e o próprio Instituto Brasil Central (Ibrace).
As investigações são conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) e apuram possíveis crimes de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo a polícia, o grupo teria se articulado para direcionar emendas a um instituto e a empresas, com parte do dinheiro sendo devolvida ao vereador responsável pela destinação.
Movimentações suspeitas
Relatórios de inteligência financeira apontaram movimentações consideradas atípicas envolvendo João Nery Chiroli em abril de 2025. O Coaf identificou transações entre o Ibrace, seu presidente Alex Jony Silva, as empresas Chiroli Esportes (Sem Limite Esporte e Eventos Ltda) e Chiroli Uniformes, além de um pedreiro que atuava em obra ligada ao vereador.
Conforme os dados reunidos, o Ibrace recebeu R$ 1,35 milhão da Prefeitura de Cuiabá naquele mês, referentes a três emendas impositivas — duas de Chico 2000, que somam R$ 1 milhão, e uma de R$ 350 mil do ex-vereador Dr. Luiz Fernando Amorim. No mesmo período, o instituto repassou R$ 1,293 milhão à empresa Chiroli Esportes, em três transferências.
Também foram registradas duas transferências da conta do Ibrace diretamente para o presidente da entidade, Alex Jony Silva, que totalizaram R$ 26 mil — movimentações consideradas incomuns para uma organização sem fins lucrativos.
Após receber os valores, a empresa de Chiroli realizou três transações que chamaram a atenção dos investigadores. Uma delas resultou em R$ 295 mil sacados em dinheiro vivo, por meio de oito retiradas feitas ao longo de 20 dias, em abril de 2025.
O juiz destacou na decisão que o uso elevado de dinheiro em espécie, em valores fracionados e concentrados em curto período, pode indicar tentativa de evitar alertas automáticos ao Coaf.
Conversa e repasse
A investigação também cita uma conversa interceptada entre Chico 2000 e João Nery Chiroli, na qual o empresário teria repassado R$ 20 mil a um pedreiro ligado ao parlamentar. O diálogo ocorreu na mesma data de um dos saques em espécie, o que reforçou as suspeitas dos investigadores.
Prisões negadas
Apesar dos indícios, o juiz negou os pedidos de prisão preventiva de Chico 2000, João Nery Chiroli e Alex Jony Silva. Ele seguiu parecer do Ministério Público, que defendeu a aplicação de medidas cautelares, como afastamento das funções públicas e proibição de contato entre os investigados, além da restrição de acesso a determinados órgãos.
Na decisão, o magistrado afirmou que, neste momento, as medidas cautelares são suficientes para interromper as supostas irregularidades e evitar interferência nas investigações. Ele também considerou a prisão uma medida desproporcional enquanto a auditoria financeira ainda está em andamento.
O juiz, no entanto, deixou claro que a decisão pode ser revista caso surjam novos elementos no decorrer das investigações.

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