A sabatina de Paulo Gonet no Senado Federal, que culminou na sua recondução ao cargo de Procurador-Geral da República (PGR) nesta quarta-feira (12), foi marcada por momentos de forte tensão, incluindo um bate-boca entre os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Jayme Campos (União).
Acusações de Constrangimento e Ataque Pessoal
A celeuma começou durante a rodada de perguntas, quando o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, dirigiu questionamentos incisivos a Gonet. O senador carioca questionou o PGR sobre uma suposta articulação para alterar a prerrogativa do Congresso Nacional de realizar o impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
“O senhor vai mesmo tirar uma prerrogativa do Congresso Nacional para fazer o processo de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal?”, perguntou Flávio. “O senhor vai opinar ao ministro relator do STF para dizer que somente o procurador-geral da República pode oferecer impeachment de um ministro do STF? Quero saber se isso é verdade. Se for verdade, por que o senhor está fazendo isso?”.
Flávio Bolsonaro também fez referência às denúncias que Gonet tem articulado no STF contra o ex-presidente Bolsonaro e outros réus pelos atos de 8 de janeiro.
“Eu, sinceramente, espero que o senhor se arrependa de tudo que está fazendo com pessoas inocentes, com milhares de pessoas inocentes”, declarou o senador.
A postura de Flávio levou à repreensão do presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), sob a alegação de que estaria constrangendo o chefe do Ministério Público Federal (MPF).
O Estranhamento entre Colegas
Em seguida, o senador Jayme Campos tomou a palavra para criticar duramente a abordagem de Flávio Bolsonaro, acusando-o de atacar Gonet “de forma pessoal” e de não elevar o nível do debate.
- Jayme Campos solicitou que o nível da sabatina fosse elevado, defendendo que “o momento não é para fazermos oitiva com as autoridades, sobretudo de forma leviana, acusando-o [Gonet]”.
- Flávio Bolsonaro rebateu, questionando a palavra “leviana”.
- Jayme Campos insistiu: “O senhor está atacando de forma pessoal a autoridade que está sendo sabatinada.”
- Flávio Bolsonaro confirmou, dizendo “É pessoal, ué. É pessoal.”
Jayme Campos encerrou sua intervenção afirmando que a fala de Flávio Bolsonaro o constrangeu, pois Gonet era o Procurador-Geral da República e merecia respeito. Flávio, por sua vez, devolveu a crítica, dizendo: “Constrangido, não. Quem tinha que estar constrangido era ele. Ele é que não respeita o cargo de procurador geral da república.”

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