“Não me sinto traído”, diz Wellington Fagundes após Bolsonaro apoiar grupo de Mauro

“Não me sinto traído”, diz Wellington Fagundes após Bolsonaro apoiar grupo de Mauro

Ex-presidente encaminhou lista ao PL nacional anunciando apoio que beneficia Otaviano Pivetta

Foto: Victor Ostetti/MidiaNews

O senador Wellington Fagundes (PL) afirmou, nesta quinta-feira (23), que não se sente traído pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após ele manifestar desejo de apoiar o grupo do governador Mauro Mendes (União) nas próximas eleições.

O vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) será o candidato ao Palácio Paiaguás, tendo Mendes como principal cabo eleitoral.

“De forma alguma me sinto traído. Muito pelo contrário, nosso projeto é trabalhar para que a gente possa aprovar a anistia. Nós queremos o presidente Bolsonaro como nosso candidato [à Presidência]”, disse Wellington, que ainda trabalha sua pré-candidatura ao Governo.

Na segunda-feira (20), Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro entregaram uma lista ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, declarando apoio a Mendes — que será candidato ao Senado. Se a costura se confirmar, ele disputará ao lado do deputado federal José Medeiros (PL), já que serão duas vagas em disputa para o Senado.

“Eu sei das dificuldades do presidente Bolsonaro. Nós, do PL, queremos apoiar o presidente Bolsonaro. Agora, claro, quem for candidato na base tem que buscar com que o apoio seja concreto. Para ser candidato tem que ter apoio popular”, afirmou o senador.

A decisão de Bolsonaro deveria ser comunicada a Wellington na terça-feira passada, por Valdemar, o que, segundo ele, não ocorreu.

“Eu não tive a oportunidade de conversar com o presidente Valdemar. E está claro que, em todas as conversas, ficou acertado que o presidente Bolsonaro definiria as vagas de Senado, e o presidente Valdemar Costa Neto definiria as vagas de deputados e governadores”, disse.

Wellington afirmou que mantém sua pré-candidatura pelo PL e que aparece bem em pesquisas eleitorais, o que o motiva a seguir na disputa.

“Vou continuar trabalhando nas bases, como tenho feito. Todas as pesquisas apontam o Wellington como o primeiro lugar. Não tem questionamento sobre isso. Sou um parlamentar municipalista, fiel ao meu partido. Todas as minhas eleições foram pelo PL, desde a base”, ressaltou.

Sobre possíveis alianças em 2026, o senador afirmou: “O PL tem que trabalhar o nosso projeto. Apoiamentos e coligações serão o ano que vem”.

Cutucada

Wellington ainda lembrou que o governador Mauro Mendes e o vice Otaviano Pivetta participaram de manifestações bolsonaristas no início deste ano, nas quais se pedia anistia aos presos e condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

“É sabido que o adversário tem ido na manifestação no Rio de Janeiro, e lá estavam eles batendo à porta do PL. Na manifestação em São Paulo, da mesma forma. Enquanto eles ficam fazendo esse trabalho, eu estou visitando as bases, procurando o eleitor, procurando o cidadão”, afirmou.

O comunicado

O comunicado entregue pelo casal Bolsonaro informava que, ao Senado, eles apoiarão as candidaturas do governador Mauro Mendes (União) e do deputado federal José Medeiros (PL), e, ao Governo do Estado, a de Otaviano Pivetta (Republicanos).

Apurado pelo MidiaNews, sem o apoio do principal nome do PL, a candidatura de Wellington poderia naufragar.

Um dos motivos que pesaram na decisão de Bolsonaro foi a lealdade e o alinhamento do governador Mauro Mendes às pautas de direita.

“O Bolsonaro considera que já ajudou a eleger Wellington em 2022, assim que ele migrou para o PL. À época, junto com Mauro, Bolsonaro abraçou a candidatura de Wellington ao Senado, que até aquele momento tinha poucas chances de reeleição”, relatou uma fonte.

Outro fator apontado é o histórico de Wellington de apoio à esquerda, tendo feito apenas nos últimos dois anos uma guinada à direita, o que não teria sido suficiente para convencer o casal Bolsonaro.

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