Jovem que morreu em Cuiabá foi operada por médico sem especialidade registrada

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Jovem que morreu em Cuiabá foi operada por médico sem especialidade registrada

O médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, responsável pelo procedimento cirúrgico que resultou na morte de Lourdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, não tem especialidade médica registrada junto aos órgãos de classe. O falecimento ocorreu durante a realização de intervenções estéticas no Hospital-Geral de Cuiabá nesta sexta-feira (16).

A paciente foi submetida a uma lipoaspiração associada à colocação de próteses de silicone nas mamas. De acordo com informações iniciais registradas pela Polícia Civil, a jovem sofreu complicações ainda no centro cirúrgico. Embora manobras de reanimação tenham sido executadas pelos profissionais presentes na sala, o óbito foi constatado no local.

Médico e a ausência do registro de especialista no conselho

Uma checagem realizada no cadastro oficial mantido pelo Conselho Federal de Medicina aponta que Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza mantém inscrição profissional ativa no estado sob o número CRM-MT 4711 desde fevereiro de 2005. Contudo, os dados públicos o classificam estritamente como médico sem especialidade registrada.

Essa condição confirma a ausência do Registro de Qualificação de Especialista (RQE) voltado à área de cirurgia plástica. Pelas normas vigentes da profissão médica no país, a falta desse documento específico não inviabiliza legalmente a execução de atos cirúrgicos por graduados em medicina, mas impede que o profissional se anuncie formalmente como especialista titulado no segmento.

Apurações conduzidas pela Polícia Civil e CRM-MT

Diante do desfecho trágico, o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso confirmou a instauração de uma sindicância ex officio para averiguar a conduta profissional adotada no atendimento hospitalar. O procedimento tramita sob sigilo regulamentar, assegurando ao médico os direitos constitucionais de ampla defesa e contraditório.

Em paralelo, a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa conduz o inquérito policial para apurar a ocorrência. O corpo da vítima seguiu para a Perícia Oficial e Identificação Técnica, onde exames de necropsia foram requisitados. Os laudos laboratoriais e cadavéricos serão determinantes para apontar a causa exata do óbito e verificar se houve negligência, imperícia ou imprudência.

Histórico de processos e operações policiais

Além das apurações administrativas e criminais decorrentes do falecimento da paciente, o médico enfrenta registros no âmbito judicial relacionados a contratos na área de saúde pública em território mato-grossense:

  • Denúncia formal no âmbito da Operação Espelho, deflagrada em 2021 pelo Ministério Público de Mato Grosso para apurar fraudes licitatórias na pandemia.
  • Reconhecimento de nulidades processuais pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região em março de 2026, com determinação de remessa dos autos à esfera federal.
  • Investigação aberta no âmbito da Operação Cartão-Postal, focada em supostos desvios de recursos no município de Sinop.
  • Decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso proferida em dezembro de 2023 rejeitando habeas corpus para encerramento prematuro das apurações.

A defesa do profissional rechaçou envolvimento em práticas ilícitas nesses processos, alegando que menções a seu nome decorrem de tratativas sobre valores devidos por serviços prestados. Os inquéritos relativos à gestão pública não possuem conexão causal direta com o procedimento estético de Lourdes Maria de Lima Pessoa Padilha.

Fonte: leiagora.com.br

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