Uma unidade da farmácia Drogasil, localizada na região dos condomínios Florais em Cuiabá, foi alvo de um furto na madrugada. Dois indivíduos encapuzados invadiram o estabelecimento após arrombar as portas de aço e de vidro da fachada. O incidente, ocorrido por volta das 3h, resultou no roubo de itens de alto valor e equipamentos de informática, destacando a vulnerabilidade de comércios a ações criminosas focadas em produtos específicos.
A ação foi descoberta nas primeiras horas da manhã, quando um supervisor encontrou a loja danificada e acionou a gerência. A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá, iniciou a apuração, buscando imagens de câmeras de segurança para identificar e localizar os responsáveis. Este episódio se insere em um contexto mais amplo de ataques a farmácias na capital, evidenciando uma preocupação crescente com a segurança do comércio local.
Ataques a farmácias em Cuiabá: o foco em medicamentos como o Mounjaro
Os criminosos que invadiram a Drogasil dos Florais focaram seus esforços em medicamentos controlados e de alto valor. Eles violaram uma geladeira específica para esses produtos, subtraindo estoques de remédios GLP-1, amplamente conhecidos como Mounjaro. Estes medicamentos são utilizados em tratamentos para emagrecimento e controle de diabetes, possuindo um elevado valor comercial. Além dos fármacos, a dupla também levou quatro CPUs que operavam nos balcões de atendimento, indicando um interesse em equipamentos eletrônicos.
Um levantamento recente aponta que este furto é o nono ataque com foco em medicamentos emagrecedores registrado na capital em um curto período. A série de crimes, que inclui roubos à mão armada e invasões noturnas, ocorreu entre o início de setembro e o início de outubro, demonstrando uma escalada preocupante na frequência e na audácia dos criminosos.
Modus operandi e a repetição de alvos
A onda de crimes começou com um assalto à mão armada em 1º de setembro, quando dois indivíduos armados se passaram por clientes em outra unidade da Drogasil na Avenida dos Florais. Na ocasião, funcionários e consumidores foram rendidos, e foram levadas nove unidades de Mounjaro, além de celulares e joias. Uma semana depois, em 8 de setembro, outra Drogasil, no Jardim das Américas, foi alvo de furto de canetas emagrecedoras e dinheiro do caixa.
O ataque de maior volume até então ocorreu em 17 de setembro, na Drogaria São Paulo da Avenida Presidente Getúlio Vargas. Três criminosos renderam funcionários e subtraíram 33 caixas de Mounjaro, cada uma contendo quatro canetas, e celulares. A ação durou cerca de dez minutos. No dia seguinte, quatro pessoas foram presas e grande parte do material roubado foi recuperado, mas as prisões não impediram novos incidentes.
A mesma Drogasil da Avenida dos Florais, atacada no início do mês, foi invadida novamente na madrugada de 26 de setembro. Três homens encapuzados arrombaram o local e levaram todo o estoque de Mounjaro, além de seis computadores. Caixas, armários e a geladeira de medicamentos foram violados.
Este evento deu início a uma sequência ainda maior, com quatro farmácias sendo furtadas entre os dias 26 e 28 de setembro, incluindo estabelecimentos nos bairros Boa Esperança, Jardim Imperial e Jardim Itália. As imagens das investigações mostram criminosos forçando portas e grades e se dirigindo diretamente aos refrigeradores dos medicamentos.
Investigação policial e o desafio da rede criminosa
O prejuízo total informado por apenas três dos quatro estabelecimentos furtados entre 26 e 28 de setembro chegou a aproximadamente R$ 568 mil. Em resposta, cinco suspeitos foram presos pela Derf enquanto participavam de uma confraternização. Dois veículos, celulares, medicamentos e outros objetos foram apreendidos. A Polícia Civil passou a investigar o destino das canetas furtadas e a possível existência de uma estrutura criminosa permanente para receptação e revenda.
Apesar das prisões, a onda de crimes não cessou. Em 1º de outubro, apenas três dias após as detenções, criminosos armados invadiram uma Drogasil no bairro Goiabeiras. O objetivo era novamente o estoque de Mounjaro, mas os ladrões não conseguiram levar os medicamentos, fugindo com dinheiro. Durante a fuga, efetuaram um disparo que atingiu uma criança de 11 anos. Dois envolvidos foram presos pela Derf.
Um detalhe notável é a recorrência de ataques à unidade dos Florais, que foi alvo duas vezes em apenas 25 dias. Além disso, o roubo no Goiabeiras ocorreu após a prisão dos cinco suspeitos, sugerindo que a série de crimes pode não ser atribuída a uma única quadrilha. A Polícia Civil continua investigando a relação dos presos com ataques anteriores e a extensão da rede criminosa envolvida.
O elevado valor de mercado dos medicamentos Mounjaro
O alto valor comercial dos medicamentos Mounjaro é um fator crucial para entender o interesse dos criminosos. O programa oficial da fabricante Lilly informa que os preços em lojas físicas variam entre cerca de R$ 1,5 mil e R$ 3,6 mil por caixa, dependendo da dosagem. O preço máximo ao consumidor pode atingir R$ 3.854,43. Essa margem de lucro no mercado ilegal torna o Mounjaro um alvo altamente cobiçado, impulsionando a onda de furtos e roubos em farmácias.
A continuidade dos ataques, mesmo após prisões, ressalta a complexidade da situação e o desafio enfrentado pelas autoridades para desmantelar completamente as organizações criminosas por trás desses furtos. A investigação segue em andamento, buscando coibir a prática e garantir a segurança dos estabelecimentos comerciais e da população, conforme apurado pelo RepórterMT.
Fonte: reportermt.com

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