Sangue raro chega mais rápido a pacientes graves com nova logística do SUS

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Sangue raro chega mais rápido a pacientes graves com nova logística do SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) implementou uma inovadora estratégia para o transporte de sangue raro, utilizando voos comerciais para agilizar o atendimento a pacientes em estado grave que necessitam de transfusões urgentes. Essa iniciativa, fruto de uma parceria entre o Ministério da Saúde e companhias aéreas, permite que bolsas de sangue com perfis sanguíneos complexos cruzem o país em tempo recorde, diretamente na cabine das aeronaves, garantindo a integridade e a rapidez necessárias para salvar vidas.

A mudança representa um avanço significativo em relação ao modelo anterior, no qual o sangue raro era transportado como carga, sujeito a prazos mais longos e restrições operacionais. Com a nova abordagem, o Brasil fortalece sua rede de hemoterapia e se posiciona como referência global na gestão de situações clínicas que demandam articulação e colaboração entre diversas instituições.

Agilidade no Atendimento a Pacientes Críticos

A atualização do acordo de cooperação técnica entre o Ministério da Saúde, por meio do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e da Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e as companhias aéreas brasileiras, permite que o transporte de sangue raro seja realizado com maior agilidade. Essa flexibilidade é crucial, possibilitando a movimentação do material inclusive durante a noite, nos fins de semana e feriados, momentos em que a urgência pode ser ainda maior.

A coordenadora-geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Luciana Maria de Barros Carlos, ressalta a importância da iniciativa. Segundo ela, a inclusão do serviço na parceria viabiliza tratamentos que, de outra forma, poderiam não acontecer, fortalecendo a rede de solidariedade que faz do Brasil e do SUS uma referência mundial.

Detalhes dos Primeiros Casos de Sucesso

A eficácia do novo modelo já foi comprovada em pelo menos duas ocasiões. Recentemente, uma bolsa de sangue raro coletada no Ceará foi transportada para Juiz de Fora, em Minas Gerais, para atender um paciente que havia passado por um transplante renal. A identificação do anticorpo anti-Jsb nos testes pré-transfusionais dificultou a localização de sangue compatível, levando à ativação do Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), que localizou um doador no Ceará.

O material foi acondicionado em embalagem apropriada, com controle rigoroso de temperatura, e transportado gratuitamente na cabine de uma aeronave comercial. Este foi o segundo transporte do tipo. O primeiro ocorreu em 12 de setembro, quando uma bolsa de sangue raro foi levada de São Paulo para o Piauí, destinada a um paciente com doença renal crônica em estado grave. Após a transfusão, o paciente apresentou bom estado de saúde, demonstrando o sucesso da operação.

O Que Define o Sangue Raro e a Busca por Doadores

Além dos sistemas sanguíneos mais conhecidos, como ABO e Rh, existem diversos outros antígenos na superfície das hemácias. Um perfil sanguíneo é considerado raro quando ocorre em menos de uma a cada mil pessoas testadas. Nessas situações, encontrar sangue compatível para uma transfusão pode se tornar um desafio complexo, exigindo buscas que transcendem as fronteiras estaduais.

Exames como a fenotipagem e a genotipagem são fundamentais para identificar características específicas do sangue de pacientes e doadores, facilitando a localização de unidades compatíveis. O atendimento a esses casos depende de uma atuação integrada da rede de hemoterapia, que é responsável por identificar e localizar doadores, armazenar as bolsas de sangue e organizar o transporte.

A Estrutura do Cadastro Nacional de Sangue Raro

O Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), criado pelo Ministério da Saúde em 2013, desempenha um papel crucial nessa rede de apoio. Atualmente, o cadastro reúne mais de dois mil doadores e já contribuiu para o atendimento de centenas de pacientes em todo o país. Quando um hemocentro não consegue encontrar sangue compatível em seu próprio estado, ele pode acionar o CNSR, que é coordenado pela Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde.

A equipe do CNSR é responsável por identificar possíveis doadores em outros estados, articular a convocação para a coleta e apoiar a organização do transporte, assegurando que o sangue chegue ao paciente no tempo oportuno. Entre os avanços futuros previstos estão a ampliação da identificação de pessoas com perfis sanguíneos raros, a estruturação de laboratórios de referência e a implantação do congelamento dessas bolsas, técnica que permitirá armazená-las por até dez anos.

Expansão do Acordo de Cooperação Aérea

A adesão do Brasil à rede mundial de sangue raro, prevista para este mês, representa outro passo importante, permitindo ao país solicitar bolsas a outras nações quando necessário, e também contribuir com o atendimento de pacientes no exterior. A estrutura de transporte aéreo já existente, que garante o transporte gratuito de órgãos destinados a transplantes, agora é expandida para incluir o sangue raro.

Em 2025, a Central Nacional de Transplantes intermediou mais de duas mil transportes, sendo a maioria em voos comerciais e uma parte em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB). Com a inclusão do sangue raro neste acordo, essa robusta logística poderá ser utilizada para levar bolsas compatíveis de um estado a outro com ainda mais rapidez, mesmo quando o doador estiver a milhares de quilômetros do paciente, reforçando o compromisso do Sistema Único de Saúde com a vida.

Fonte: leiagora.com.br

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