A realidade do conflito em Gaza se estende muito além das linhas de frente, alcançando a vida de milhares de combatentes que enfrentam as consequências físicas e psicológicas da guerra. Dois desses soldados, Amit Bar, de 24 anos, e Aziz Shukurov, ambos membros da Brigada Nahal do Exército israelense, compartilham a dolorosa experiência de terem sido gravemente feridos em operações de combate, vítimas de explosões em edifícios armadilhados por terroristas do Hamas. Ambos perderam companheiros nos incidentes que os vitimaram e estão há quase dois anos em um complexo processo de reabilitação.
Amit e Aziz são parte dos mais de 70 mil membros assistidos pelo Beit Halochem, uma organização não governamental israelense dedicada a apoiar a recuperação e reintegração de militares feridos. Suas histórias oferecem um vislumbre da brutalidade do combate e da resiliência necessária para reconstruir a vida após traumas tão profundos.
A preparação para o combate e o chamado do dever
Amit Bar foi incorporado à Brigada Nahal em agosto de 2021, cumprindo missões de segurança na Cisjordânia e em Gaza. A rotina pré-7 de outubro de 2023 alternava entre quatro meses de missões operacionais – patrulhamento em Gaza, Judeia e Samaria ou no norte do país – e quatro meses de treinamentos intensivos, visando a preparação contínua para os desafios de segurança que Israel enfrenta periodicamente.
Com apenas oito meses restantes para sua dispensa, o ataque de 7 de outubro de 2023 mudou tudo. Amit estava de folga em casa quando as imagens das caminhonetes do Hamas dentro das fronteiras israelenses se espalharam. Rapidamente, o comandante de sua unidade, Shay Mariz, convocou todos os soldados a retornarem imediatamente à base, marcando o início de uma nova fase de guerra.
A diversidade da unidade e a entrada em Gaza
No dia seguinte ao ataque, a unidade de Amit foi deslocada para o norte, diante da expectativa de uma possível invasão do Hezbollah. Poucos dias depois, foram transferidos para o sul, onde retomaram o treinamento e se prepararam para entrar em combate. A unidade, composta por 15 soldados, era um microcosmo da sociedade israelense, incluindo um soldado druso, um cristão, moradores de kibutzim e cidades, religiosos e seculares.
Todos compartilhavam a compreensão de que, naquele momento, a defesa do país era primordial. A memória das atrocidades de 7 de outubro – assassinatos, estupros e decapitações – servia como um forte motivador. Em 1º de novembro, a unidade de Amit entrou em Gaza pelo norte, enfrentando uma realidade de combate que logo se mostraria implacável.
A dura realidade do conflito e a batalha pela narrativa
A primeira semana de combate trouxe a perda de um companheiro, Noam Yosef Abu, um atirador de elite de Dimona. Esse evento solidificou a compreensão de que não se tratava mais de um exercício, mas de uma guerra real contra terroristas. Durante as operações, os soldados frequentemente encontravam infraestrutura do Hamas camuflada em locais civis.
Em hospitais, coletes militares, lançadores de RPG e granadas eram encontrados ao lado de equipamentos médicos. Em escolas, explosivos e materiais para fabricação de bombas estavam escondidos entre os livros. Um relato marcante de Amit descreve um quarto de criança decorado em tons de rosa, com uma boneca Barbie sobre a cama, que escondia a entrada para um túnel do Hamas.
Essa realidade fez com que Amit percebesse que a guerra não era apenas militar, mas também uma batalha pela consciência pública e pela narrativa internacional. Nos momentos de pausa, a saudade da família e do lar era intensa, um lembrete constante do que estava em jogo.
O dia da explosão e as consequências devastadoras
Em 26 de dezembro de 2023, Amit Bar foi ferido. Naquele dia, sua unidade iniciou um combate em direção ao sul de Gaza. Amit e seu colega Nevo foram os primeiros a entrar em um beco estreito, ladeado por edifícios, com Shay Mariz e Shaul Greenglick logo atrás. A missão era dar cobertura aos soldados que os seguiam, enquanto outra parte da companhia entrava em um edifício à direita.
Ao avistar uma célula de quatro terroristas a cerca de 100 metros, uma carga explosiva foi acionada. Oito explosivos detonaram quase simultaneamente, fazendo com que um prédio desabasse sobre os soldados. Amit não conseguia ver suas pernas, que estavam soterradas pela estrutura. O incidente resultou em seus graves ferimentos e na morte de seu comandante, Shay Mariz, que tinha 26 anos.
A recuperação de Amit, assim como a de Aziz Shukurov, é um testemunho da resiliência humana e da importância do apoio de organizações como o Beit Halochem, que oferece suporte vital para que esses soldados possam reconstruir suas vidas após o trauma do combate.
Fonte: revistaoeste.com

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