Hospitais americanos recuam em adesão a índice de igualdade para políticas de gênero

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Foto: Reprodução/ X

A adesão de hospitais e centros de saúde nos Estados Unidos ao “Índice de Igualdade na Saúde”, coordenado pela organização LGBT Human Rights Campaign (HRC), registrou uma queda notável nos últimos dois anos. Centenas de instituições optaram por não seguir mais os critérios estabelecidos pela entidade, enquanto outras mantiveram sua participação, refletindo um cenário de mudança nas políticas de gênero dentro do setor de saúde americano.

Este recuo na participação tem gerado discussões significativas sobre a adequação e a base científica das diretrizes que orientam os cuidados de afirmação de gênero, especialmente para menores. A situação levanta questões importantes sobre o papel das organizações ativistas na definição de padrões médicos e a crescente cautela de instituições de saúde em relação a essas políticas.

O Índice de Igualdade na Saúde e seus Critérios

O Índice de Igualdade na Saúde da HRC é uma ferramenta que avalia hospitais e centros de saúde com base em suas políticas relacionadas à identidade de gênero. A pontuação é atribuída conforme a cobertura de intervenções médicas que a organização classifica como “cuidados de afirmação de gênero”.

Entre os critérios avaliados, destacam-se a não discriminação e o treinamento de pessoal, os serviços e o apoio ao paciente, os benefícios e as políticas para funcionários, além do engajamento com pacientes e a comunidade. Para alcançar a pontuação máxima, as instituições devem oferecer coberturas como terapias hormonais, bloqueadores de puberdade para jovens e cirurgias de transição de gênero, incentivando clínicas especializadas e a ampliação desses serviços.

Declínio na Participação dos Hospitais e Reações

Os dados mais recentes da pesquisa da HRC, que contou com 741 participantes neste ano, revelam uma diminuição em comparação com 2024, quando mais de mil instituições foram registradas. Atualmente, 323 hospitais alcançaram a pontuação máxima e 343 obtiveram o status de “instituições de alto desempenho”. Em 2024, esses números eram de 384 e 462, respectivamente.

Essa diferença representa uma queda de aproximadamente 30% na participação geral, 15% entre as instituições líderes e 26% na categoria de alto desempenho. O psiquiatra Kurt Miceli, diretor médico da organização Do No Harm, expressou satisfação com os resultados, afirmando que a redução na adesão ao índice demonstra a eficácia da luta contra as políticas de identidade na medicina. A HRC também registrou uma queda na participação de companhias da Fortune 500 em seu levantamento empresarial, de 377 em 2025 para 131 neste ano.

Evidências Científicas e Controvérsias Médicas

A controvérsia em torno das intervenções médicas para a transição de gênero, especialmente em adolescentes com disforia de gênero, tem sido um ponto central no debate. Embora ativistas LGBT argumentem que essas intervenções reduzem o risco de suicídio, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS) concluiu que há poucas evidências de benefícios para menores.

Pelo contrário, alguns estudos indicam riscos potenciais, como câncer e aumento de pensamentos suicidas associados a essas intervenções. A secretária de imprensa do HHS, Emily Hilliard, reforçou a posição do departamento ao Daily Signal, afirmando que “esses procedimentos prejudiciais não atendem aos padrões de saúde reconhecidos profissionalmente”.

O cenário legal também reflete essa complexidade. Em fevereiro, um júri concedeu US$ 2 milhões a uma pessoa em processo de destransição por negligência médica. Casos semelhantes, incluindo acordos com psiquiatras, têm surgido. Em resposta a essa realidade, o Texas Children’s Hospital, por exemplo, fechou sua clínica de gênero e inaugurou um centro focado em pacientes em destransição.

Perspectivas Futuras e o Debate em Andamento

Kurt Miceli, da Do No Harm, observou que governos estaduais e federais estão implementando medidas restritivas para interromper as mudanças de sexo pediátricas e limitar a Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) em programas financiados pelo contribuinte. Ele sugeriu que muitos hospitais apoiam um consenso que, na prática, não existe, e enfatizou que “a luta está longe de acabar”.

Por outro lado, Stella O’Malley, diretora da Genspect, adotou uma visão mais matizada, hesitando em classificar a situação como um “recuo total”. Ela destacou que as alegações outrora apresentadas como ciência comprovada estão agora sob o escrutínio que sempre deveria ter existido, e que “não existe uma base de evidências confiável e replicável para apoiar a transição médica”.

O’Malley alertou ainda para o risco de que o fechamento de clínicas possa levar à migração de tratamentos para plataformas online ou outros países, resultando em um “turismo trans” e no uso de hormônios sem supervisão adequada, o que poderia gerar novos desafios para a saúde pública.

Fonte: revistaoeste.com

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