Pneumo 20 no SUS: nova vacina amplia proteção infantil contra doenças graves

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© Tomaz Silva/Agência Brasil

O Ministério da Saúde anunciou o início iminente da vacinação com a vacina Pneumo 20 para crianças de até 5 anos no Sistema Único de Saúde (SUS). Este novo imunizante, com previsão de começar na segunda quinzena de junho, representa um avanço significativo na saúde pública, visando fortalecer a proteção contra doenças sérias como pneumonia e meningite. A iniciativa reforça os esforços contínuos para robustecer o programa nacional de imunização e garantir uma cobertura mais ampla para as populações mais vulneráveis.

A chegada da Pneumo 20 e sua proteção abrangente

A vacina Pneumo 20, uma novidade no SUS, oferece proteção contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae. Este patógeno é um dos principais causadores de condições graves como pneumonia, meningite e sepse, que podem levar a hospitalizações, sequelas a longo prazo e até óbitos. Sua incorporação marca o quarto imunobiológico introduzido para crianças na atual gestão da pasta, expandindo o acesso a uma vacina que, anteriormente, era ofertada apenas na rede privada com custo elevado.

Este imunizante avançado substituirá a vacina pneumocócica conjugada 10-valente (VPC10), dobrando efetivamente o número de sorotipos combatidos. Segundo o Ministério da Saúde, o diferencial da Pneumo 20 reside em sua proteção imunológica ampliada, especialmente contra os sorotipos 3, 6A e 19A, frequentemente associados a casos de pneumonia invasiva. Além de infecções respiratórias e neurológicas graves, a vacina também atua contra a otite média, uma infecção comum no ouvido que, se não tratada, pode resultar em perda auditiva e infecção generalizada.

O impacto da doença pneumocócica em crianças

A doença causada pela Streptococcus pneumoniae, ou pneumococo, pode se manifestar de diversas formas, desde infecções leves como inflamação no ouvido e sinusite, até condições com risco de vida. Estima-se que o pneumococo seja responsável por até 50% de todos os casos de meningite bacteriana em crianças, com uma taxa de mortalidade em torno de 30%. Embora crianças pequenas sejam particularmente suscetíveis, idosos e indivíduos com comorbidades ou imunossupressão também enfrentam maior vulnerabilidade.

Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) identifica a doença pneumocócica como a principal causa de mortalidade infantil por doença prevenível. No Brasil, entre 2023 e 2025, foram notificados 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil óbitos. No grupo etário crítico de crianças menores de 5 anos, foram registrados 616 casos e 188 mortes no mesmo período, evidenciando a necessidade urgente de medidas preventivas abrangentes.

Histórico da vacinação e a recuperação das coberturas

A luta contra a doença pneumocócica no Brasil alcançou um marco significativo em 2010 com a inclusão da vacina VPC10 no calendário básico de imunização infantil. Essa medida resultou em uma notável redução de 60% nos casos de doença pneumocócica invasiva causada pelos 10 sorotipos cobertos, bem como uma queda de 65% na meningite pneumocócica entre crianças de até dois anos. Contudo, anos recentes têm mostrado um preocupante ressurgimento de casos.

Entre 2013 e 2019, o Brasil registrou uma média de 164 casos anuais de meningite pneumocócica em crianças de até 5 anos. Essa média subiu para 211,3 casos anuais de 2022 a 2024. Dados do sistema de vigilância do Ministério da Saúde revelaram que quase 40% dos casos graves com amostras coletadas entre 2018 e 2023 foram causados por dois tipos específicos da bactéria não prevenidos pela VPC10, mas agora incluídos na nova formulação da VPC20. Essa tendência ressalta a importância da proteção expandida oferecida pela Pneumo 20.

Grupos prioritários e o esquema vacinal

O Ministério da Saúde detalhou os grupos prioritários designados para receber a vacina Pneumo 20. Estes incluem crianças menores de 5 anos de idade, povos indígenas maiores de 5 anos sem histórico vacinal com pneumo conjugada, idosos com 60 anos ou mais acamados e/ou institucionalizados, e pessoas com condições clínicas especiais atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE). A distribuição inicial de 514 mil doses já começou, com a previsão de mais de 6,1 milhões de doses disponíveis ainda este ano.

Durante a fase de transição, enquanto os estoques existentes da Pneumo 10 são utilizados, o esquema vacinal básico para crianças envolverá uma dose da Pneumo 20 aos 2 meses de idade, uma dose da Pneumo 10 aos 4 meses, e uma dose de reforço da Pneumo 20 aos 12 meses, respeitando um intervalo mínimo de 60 dias entre a segunda dose e o reforço. Após o esgotamento dos estoques da Pneumo 10, o esquema passará a utilizar exclusivamente a Pneumo 20. Pais e responsáveis podem acompanhar o histórico de vacinação em tempo real por meio da Caderneta Digital de Saúde da Criança, acessível via aplicativo Meu SUS Digital.

Avanços e desafios na imunização nacional

Nos últimos três anos, o Ministério da Saúde informou a recuperação bem-sucedida de todas as coberturas vacinais infantis, revertendo uma tendência de queda observada até 2022. A vacinação contra doenças pneumocócicas acompanhou esse progresso, com a cobertura do esquema básico passando de 90,01% em 2023 para 93,22% em 2024 e 93,45% em 2025. Para 2026, a cobertura parcial acumulada até o momento, segundo a pasta, alcança 86,33%. Esses números refletem um esforço conjunto para reconstruir a confiança e a participação no programa nacional de imunização.

O ministro enfatizou a luta contínua contra a hesitação vacinal e a desinformação, destacando a importância de restaurar a credibilidade do Programa Nacional de Imunização. A introdução da vacina Pneumo 20 é um testemunho desse compromisso, visando não apenas expandir a proteção, mas também reforçar a confiança do público na eficácia e segurança das vacinas fornecidas pelo SUS.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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