A Colômbia se encontra em um momento crucial de sua história política, com a segurança pública emergindo como o tema central das eleições presidenciais deste domingo, 31 de maio de 2026. Sob a gestão do presidente Gustavo Petro, o país testemunhou um alarmante aumento nos índices de criminalidade, que transformaram a pauta eleitoral e reacenderam debates sobre a eficácia das estratégias de pacificação. O cenário atual é marcado pelo fracasso do ambicioso plano governamental de “paz total”, que, em vez de trazer estabilidade, empurrou a nação para a mais grave crise humanitária da última década.
Os dados recentes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) confirmam um retrocesso institucional significativo. Essa situação é particularmente preocupante, pois ocorre apenas dez anos após o desarmamento oficial das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), um marco que prometia um futuro de maior tranquilidade para o país.
A Escalada da Violência e o Colapso da ‘Paz Total’ na Colômbia
A gestão atual tem sido confrontada com estatísticas preocupantes, que indicam um agravamento da violência. Os sequestros, por exemplo, quase triplicaram em território colombiano, refletindo uma deterioração acentuada da segurança pública. Este aumento da criminalidade não apenas afeta a vida cotidiana dos cidadãos, mas também desestabiliza regiões inteiras, gerando um clima de medo e incerteza generalizado.
O plano de “paz total”, uma das principais bandeiras do governo, visava a negociação com diversos grupos armados para alcançar uma pacificação abrangente. Contudo, a realidade tem mostrado que essa estratégia não produziu os resultados esperados, contribuindo para a atual crise humanitária. A fragilidade institucional e a persistência de grupos armados ilegais têm sido fatores determinantes para o cenário de instabilidade.
Candidatos sob Ameaça e a Centralidade da Segurança
A gravidade da situação é tal que os principais candidatos à presidência foram obrigados a reforçar drasticamente sua proteção pessoal. O temor de atentados se tornou uma constante na campanha eleitoral. Iván Cepeda, líder nas pesquisas, realiza seus comícios cercado por seguranças equipados com escudos blindados, enquanto seu rival de direita, Abelardo de la Espriella, discursa protegido por vidros balísticos.
A senadora Paloma Valencia também precisou acionar escoltas reforçadas após receber ameaças de morte de grupos guerrilheiros. Essa necessidade de proteção intensificada sublinha a percepção pública de que a segurança é o problema mais urgente do país. Uma sondagem do instituto Invamer revelou que 40% dos colombianos apontam a criminalidade como a maior preocupação, relegando a economia para o quarto lugar, com apenas 11% das menções.
Propostas Contrastantes para a Crise de Segurança
A escalada da violência urbana e rural tem impulsionado os discursos da oposição conservadora, que propõe medidas mais duras para combater o crime. Abelardo de la Espriella, por exemplo, promete suspender os diálogos com criminosos, construir dez megaprisões inspiradas no modelo de El Salvador e autorizar as Forças Armadas a eliminar bandidos. Sua plataforma reflete uma demanda por ações contundentes e uma postura de tolerância zero.
Por outro lado, Iván Cepeda, representante da esquerda, defende a continuidade das negociações com o Exército de Libertação Nacional (ELN) e com os dissidentes que abandonaram o tratado de 2016. Os partidos de oposição, contudo, criticam essa abordagem, argumentando que ela falhou e apenas serviu para fortalecer os grupos armados. Segundo eles, os criminosos utilizam os períodos de trégua para expandir suas operações de narcotráfico e garimpo ilegal, aumentando seu faturamento e influência.
Conflitos Armados e Desordem Territorial Persistente
A realidade dos conflitos armados continua a assombrar diversas regiões da Colômbia. No departamento de Guaviare, na floresta amazônica, um confronto violento entre duas facções dissidentes das Farc resultou na morte de 52 rebeldes na quinta-feira, 28 de maio. O Ministério da Defesa admitiu que traficantes espalharam minas terrestres na mata para proteger rotas de escoamento de cocaína, e há suspeitas de que menores de idade estejam entre os corpos encontrados.
Apesar das tentativas do presidente Gustavo Petro de minimizar a crise, apresentando dados de estabilidade na taxa de homicídios, analistas alertam para a crescente desordem territorial provocada por explosivos e drones. As conversas de paz com o ELN foram congeladas em janeiro do ano passado, após o grupo explodir quartéis e forçar a fuga de 100 mil moradores em Catatumbo. Com onze candidatos disputando o primeiro turno, a expectativa é que a decisão presidencial seja levada para o segundo turno, marcado para 21 de junho.
Fonte: revistaoeste.com

Deixe um comentário