A longevidade do poder e os riscos para a estabilidade democrática brasileira

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A longevidade do poder e os riscos para a estabilidade democrática brasileira

A longevidade de um mesmo grupo político no comando do Estado brasileiro levanta questionamentos fundamentais sobre a saúde das instituições. Caso o atual projeto político se mantenha após o pleito do dia 25, o Partido dos Trabalhadores (PT) terá ocupado a chefia do Poder Executivo por mais de 21 dos últimos 28 anos. Este cenário de permanência prolongada impõe uma reflexão necessária sobre a vitalidade da alternância de poder, um dos pilares centrais de qualquer regime democrático moderno.

A essência da alternância como mecanismo de controle

A democracia, em sua definição mais pragmática, não garante a escolha dos melhores gestores, mas assegura a possibilidade de substituição pacífica daqueles que ocupam o comando. Conforme a teoria de Karl Popper, o valor do sistema reside justamente na capacidade de remover governantes sem a necessidade de rupturas violentas. Quando a troca se torna rara, o poder tende a se cristalizar, gerando uma acomodação perigosa onde a distinção entre a gestão pública e o projeto partidário se torna cada vez mais tênue.

Impactos econômicos e a gestão da máquina pública

A continuidade de um mesmo grupo político tende a consolidar métodos de governança e escolhas fiscais que se repetem ao longo das décadas. Um reflexo direto dessa trajetória é a pressão sobre o contribuinte, evidenciada pela carga tributária que atingiu 32,4% do PIB em 2025, conforme dados do Tesouro Nacional. Medidas como o aumento do IOF e a taxação de novos setores revelam uma dependência crescente da máquina estatal por receitas, muitas vezes sob a justificativa de custear promessas de campanha ou reajustes populistas.

O desafio da renovação nos quadros políticos

Outro ponto de atenção é a circulação limitada de nomes no cenário político nacional. A prática de alternar cargos entre os mesmos atores, independentemente do sucesso das gestões anteriores, cria uma sensação de estagnação. Quando figuras públicas migram de uma esfera de poder para outra sem que haja uma renovação real de ideias ou de lideranças, o eleitor perde a percepção de que o voto possui o poder de transformar a realidade administrativa do país.

A erosão gradual das instituições democráticas

A manutenção prolongada de um grupo no poder não costuma resultar em um colapso repentino, mas em um enfraquecimento silencioso das estruturas de controle. À medida que a máquina pública se expande e mais setores da sociedade passam a depender de subsídios ou cargos estatais, a resistência a mudanças eleitorais aumenta. Defender a democracia, portanto, exige reconhecer que a alternância é o único antídoto eficaz contra a autopercepção de que um grupo é indispensável ou dono do Estado.

Fonte: pleno.news

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