A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), intensificou o embate político com a atual Mesa Diretora da Câmara Municipal ao declarar publicamente que possui o apoio necessário para mudar o comando do Legislativo. Durante uma entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (13), a gestora desafiou o atual presidente da Casa, Wanderley Cerqueira (MDB), a convocar novas eleições, afirmando que a resistência do parlamentar se deve ao receio de uma derrota iminente no plenário.
As declarações ocorreram durante o lançamento da Casa 22, um comitê de apoio político em Cuiabá. O clima de tensão entre o Executivo e o Legislativo de Várzea Grande atingiu um novo patamar após decisões judiciais recentes que anularam processos internos da Câmara, abrindo caminho para uma reorganização das forças políticas locais em meio a um cenário de forte polarização.
Crise institucional e a intervenção do Supremo Tribunal Federal
O atual impasse jurídico teve origem em uma decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou o resultado da eleição da Mesa Diretora ocorrida em maio deste ano. Naquela ocasião, Wanderley Cerqueira havia sido eleito presidente por uma margem mínima, vencendo por 12 votos a 11. A anulação determinada pela Corte Superior forçou a necessidade de uma nova análise do caso pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Com a nulidade do pleito anterior, parlamentares da base aliada à prefeita passaram a exigir a marcação imediata de uma nova votação. No entanto, a atual presidência tem adotado uma postura cautelosa, aguardando o transcorrer de prazos processuais e a manifestação definitiva do Judiciário estadual antes de abrir o processo eleitoral interno novamente.
Articulação política liderada por Lucas do Chapéu do Sol
Segundo Flávia Moretti, a articulação política conduzida pelo vereador Lucas do Chapéu do Sol (PL) foi fundamental para consolidar um novo bloco majoritário na Casa de Leis. A prefeita afirma que o grupo já conta com a assinatura de 15 dos 23 vereadores em um requerimento administrativo que pede a definição da data para o novo pleito. Essa movimentação indica uma mudança significativa na correlação de forças desde a última votação.
“Ele sabe que vai perder a presidência. Nós já temos a maioria. O Lucas conquistou a maioria dos vereadores e, com a nova eleição, acredito que teremos uma reformulação completa na Mesa Diretora”, disparou a prefeita durante a coletiva. A confiança de Moretti baseia-se na união de parlamentares que buscam uma gestão mais alinhada às diretrizes do atual governo municipal.
Resistência da atual Mesa Diretora e prazos judiciais
A recusa de Wanderley Cerqueira em acatar o requerimento dos 15 vereadores gerou episódios de forte tensão e discussões acaloradas no plenário da Câmara. Diante do indeferimento administrativo, a oposição recorreu ao Judiciário por meio de um mandado de segurança. Atualmente, o presidente da Casa possui um prazo legal de 10 dias para prestar informações oficiais à Justiça sobre os motivos de não ter convocado a eleição em regime de urgência.
Enquanto o prazo corre, a estratégia da atual presidência parece ser a de ganhar tempo político, apostando em uma possível reviravolta jurídica ou no enfraquecimento do bloco opositor. Por outro lado, os aliados de Moretti mantêm a pressão pública e jurídica, argumentando que a manutenção da atual Mesa Diretora fere o regimento interno e ignora a vontade soberana da maioria dos parlamentares.
Impactos na governabilidade de Várzea Grande
A disputa pelo comando do Legislativo não é apenas uma questão de cargos, mas um fator determinante para a governabilidade de Flávia Moretti. Uma Câmara Municipal com uma Mesa Diretora favorável facilita a tramitação de projetos de lei essenciais, aprovação de orçamentos e a implementação de políticas públicas prioritárias para a cidade. O desfecho desta crise terá reflexos diretos na estabilidade política do município nos próximos meses.
Para mais detalhes sobre as decisões das cortes superiores, acesse o portal oficial do Supremo Tribunal Federal. A expectativa agora recai sobre o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que deverá dar a palavra final sobre o rito a ser seguido para a normalização das atividades legislativas em Várzea Grande.
Fonte: reportermt.com

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