A trajetória de Ruth Sales exemplifica o poder transformador da educação pública no Brasil. Nascida em uma família de poucos recursos em Aracaju, Sergipe, a educadora percorreu um caminho que começou na antiga Escola Técnica Federal de Sergipe e culminou na reitoria da mesma instituição. Sua história é marcada pela superação e pelo compromisso contínuo com a inclusão social e o desenvolvimento acadêmico.
Formação acadêmica e o retorno à docência
O incentivo familiar foi o pilar fundamental na vida de Ruth. Com o pai reforçando a importância dos estudos como ferramenta de ascensão, ela ingressou na rede técnica, onde obteve sua base em química. Posteriormente, graduou-se em química industrial pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), seguiu para o mestrado na Universidade Federal da Bahia (Ufba) e concluiu o doutorado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Em 1996, Ruth retornou à instituição onde se formou, desta vez como docente. Ao longo de três décadas de dedicação à Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, ela ministrou disciplinas de química analítica e análise instrumental, consolidando uma carreira que equilibra o rigor técnico com a formação humanística.
Pioneirismo e liderança feminina
Ao assumir a reitoria do Instituto Federal de Sergipe (IFS), Ruth Sales rompeu barreiras históricas. Como a primeira mulher a ocupar o cargo máximo da instituição, ela enfrentou desafios estruturais e preconceitos de gênero, sendo compelida a reafirmar sua competência técnica e administrativa constantemente. Sua gestão foi pautada pela ampliação de oportunidades, com foco especial em grupos vulneráveis.
Um dos marcos de sua atuação foi o fortalecimento do programa Mulheres Mil. O projeto, que promove a qualificação profissional de mulheres em situação de vulnerabilidade, recebeu atenção direta da reitora, que buscou aproximar a gestão acadêmica das comunidades indígenas e quilombolas, garantindo que a educação chegasse a diferentes realidades sociais.
Legado e compromisso com o futuro
Após oito anos à frente da reitoria, Ruth encerra um ciclo administrativo, mas mantém sua atuação voltada ao desenvolvimento social. A educadora defende que a rede federal é um espaço de descoberta de horizontes, onde estudantes encontram possibilidades de pesquisa e intercâmbio desde o início da formação. Para ela, o trabalho na educação pública é uma forma de retribuição social.
Mesmo diante de novas responsabilidades, Ruth reafirma que não pretende se afastar do contato direto com os estudantes. Sua carreira serve como um testemunho de que a educação pública, quando bem gerida e inclusiva, é capaz de transformar vidas e formar líderes comprometidos com o desenvolvimento do país.
Fonte: leiagora.com.br

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