Policial penal preso em Cuiabá detalha legítima defesa em morte de enteado; investigação aponta contradições

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De acordo com sua versão, o tiro teria sido direcionado inicialmente à região da barriga, mas atingiu o rosto de Atlas em razão da movimentação dos dois

Um policial penal foi detido em Cuiabá após a morte de seu enteado, um jovem de 21 anos, atingido por um disparo no rosto. O incidente, ocorrido na manhã de uma quarta-feira, levou à prisão do agente, que em depoimento alegou ter agido em legítima defesa. No entanto, a versão apresentada pelo policial está sob análise da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que já identificou elementos na cena do crime que contradizem o relato inicial.

O caso envolve Jeremias Émerson, o policial penal, e Atlas Iury da Silva Santos, a vítima. A dinâmica do confronto e as circunstâncias que levaram ao disparo fatal são o foco da investigação, que busca esclarecer os fatos diante das diferentes perspectivas e evidências coletadas.

A Versão do Policial Penal Sobre o Confronto Fatal

Em seu depoimento, o policial penal Jeremias Émerson detalhou os momentos que antecederam a morte de Atlas. Segundo ele, a ida à residência tinha como objetivo buscar sua companheira para o trabalho. Ao chegar, encontrou o enteado em estado de exaltação. Relatos de vizinhos, conforme Jeremias, indicavam que Atlas havia danificado uma motocicleta durante a madrugada, proferido ameaças a familiares e estava afiando uma faca, o que já criava um cenário de tensão.

O policial afirmou que, ao se aproximar, viu Atlas próximo ao irmão mais novo, que aguardava a van escolar. Ao questionar o enteado sobre a van e a situação com a mãe, Jeremias relatou que Atlas respondeu de forma agressiva, dizendo: “Não, vou pegar a van não, vou pegar é você” e, em seguida, avançou contra ele armado com uma faca. Este seria o ponto de partida para a escalada do confronto.

Detalhes da Luta Corporal e o Disparo Decisivo

Diante da suposta ameaça com a faca, Jeremias Émerson descreveu que Atlas correu em sua direção. O policial penal afirmou ter efetuado um primeiro disparo, com a intenção de deter o avanço do jovem, mas o tiro não o atingiu. Em seguida, os dois teriam entrado em uma intensa luta corporal, momento em que o disparo fatal teria ocorrido.

A versão do policial indica que, durante a disputa física, o tiro foi inicialmente direcionado à região da barriga de Atlas. Contudo, devido à movimentação de ambos, o projétil acabou atingindo o rosto do enteado, na região do crânio. Jeremias relatou: “Ele me agarrou, me jogou ao solo e no que ele me jogou ao solo eu grudei no pescoço dele. E aí nós entramos em luta corporal e ele segurou no cano da arma. Quando ele segurou no cano da arma nós ficamos em luta corporal e eu efetuei o próximo disparo na região da barriga dele, como teve o movimento pegou na face dele, na região do crânio dele”. Após o disparo, Atlas faleceu no local, e Jeremias acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Polícia Militar.

Investigação da DHPP Aponta Contradições na Cena do Crime

A narrativa apresentada pelo policial penal está sendo minuciosamente investigada pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O delegado Nilson Farias, responsável pelo caso, destacou que os primeiros elementos observados na cena do crime não corroboram integralmente a versão de Jeremias. Inicialmente, não foram encontrados sinais evidentes de luta corporal, o que contraria o depoimento do policial.

Outro ponto de divergência é a localização da faca que, segundo Jeremias, teria sido utilizada por Atlas. O objeto foi encontrado distante do corpo da vítima, uma circunstância que levanta questionamentos e integra a complexidade da investigação. Jeremias foi preso em flagrante, e a Polícia Civil continua ouvindo testemunhas e aguarda os resultados das perícias técnicas para compor um quadro completo e esclarecer a dinâmica exata dos acontecimentos. Para mais informações sobre a atuação da Polícia Civil no estado, consulte o site oficial da Polícia Civil de Mato Grosso.

Fonte: reportermt.com

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