A residência oficial do Brasil em Roma tornou-se palco de controvérsias após revelações de que o local foi utilizado para hospedar artistas que manifestaram apoio público à eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. Documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação confirmam que o Ministério das Relações Exteriores custeou estadias de cantores e escritores com recursos públicos, gerando questionamentos sobre a finalidade do uso do imóvel diplomático.
A lista de beneficiados, que inclui nomes como Fafá de Belém, Mônica Salmaso, Marcelo Rubens Paiva e Aline Bei, foi mantida sob sigilo pelo Itamaraty durante meses. A pasta argumentou inicialmente que a solicitação dos dados seria desproporcional. A transparência sobre o uso do palácio só foi alcançada após a intervenção da Controladoria-Geral da União, que acatou um recurso para derrubar o veto diplomático e liberar os registros das estadias.
Gastos públicos com diplomacia cultural e shows
O governo federal justificou as despesas sob o guarda-chuva do Programa de Diplomacia Cultural, verba destinada à promoção da imagem do Brasil no exterior. Em maio de 2024, a cantora Fafá de Belém utilizou a estrutura da residência oficial durante uma série de apresentações na Itália e em San Marino. O custo total da operação, financiado pelo erário, somou R$ 273,8 mil.
Outros episódios envolvem a cantora Mônica Salmaso, que se hospedou no local em outubro de 2024 acompanhada de músicos, com um custo de R$ 51,2 mil aos cofres públicos. Enquanto o Itamaraty defende que o uso do casarão visa apoiar eventos institucionais e atrair investimentos, o caso reacende o debate sobre a distinção entre a promoção cultural do Estado e o favorecimento de figuras alinhadas à atual gestão.
Comitiva de autoridades e uso político do imóvel
O relatório detalha a estadia de 68 pessoas na residência oficial em Roma, revelando uma ocupação que ultrapassa o âmbito artístico. A lista de hóspedes inclui figuras centrais do atual governo e do Judiciário, como a primeira-dama Rosângela da Silva, o chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso.
A ex-presidente Dilma Rousseff também utilizou as instalações por cinco dias em 2024, período em que cumpriu agenda para uma audiência com o Papa Francisco. Além dela, o secretário do Ministério do Trabalho, Gilberto Carvalho, consta entre os ocupantes do imóvel. O volume de gastos com a manutenção de embaixadas brasileiras no exterior atingiu a marca de R$ 240,5 milhões no último ano, conforme dados oficiais disponíveis em gov.br/mre.
Fonte: revistaoeste.com

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