Mercado financeiro eleva projeção da inflação para 5,11% e acende alerta econômico

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© Joédson Alves/Agência Brasil

A expectativa do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o indicador oficial da inflação no Brasil, registrou uma nova alta. A projeção para este ano foi ajustada de 5,09% para 5,11%, conforme revelado pelo Boletim Focus, pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central (BC) que compila as estimativas de diversas instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos do país. Esta é a décima terceira semana consecutiva de elevação na previsão.

A persistente escalada das projeções da inflação para o ano corrente coloca o indicador acima do limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta central é de 3%, com uma banda de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que significa que o teto aceitável é de 4,5%.

Projeção da inflação em ascensão e o impacto global

A elevação contínua da previsão da inflação é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo as tensões geopolíticas no Oriente Médio, que exercem pressão sobre os preços dos combustíveis no cenário internacional. Internamente, a variação dos preços dos alimentos também tem sido um componente significativo na composição do índice.

Em abril, a inflação oficial do país, medida pelo IPCA, registrou 0,67%. O acumulado dos últimos 12 meses, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atingiu 4,39%, mantendo-se, até então, dentro do teto da meta de inflação. A expectativa agora se volta para a divulgação da inflação de maio, que será apresentada pelo IBGE na próxima sexta-feira.

As projeções para os anos seguintes também indicam um cenário de atenção. Para 2027, a estimativa da inflação variou ligeiramente de 4,02% para 4,03%. Para os anos de 2028 e 2029, as expectativas do mercado financeiro são de 3,65% e 3,5%, respectivamente.

Ações do Banco Central e a taxa Selic

O Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, como principal ferramenta para controlar a inflação e garantir a estabilidade econômica. Atualmente, a Selic está fixada em 14,5% ao ano, conforme decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.

Na sua última reunião, realizada em abril, o colegiado optou por reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, marcando a segunda queda consecutiva. Essa decisão foi tomada em um contexto de cautela, especialmente devido às tensões globais e seus potenciais impactos na economia, como o aumento dos preços de combustíveis e alimentos, que dificultam o trabalho do Copom.

Entre junho do ano anterior e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o patamar mais elevado em quase duas décadas. A ata da reunião do Copom não forneceu indicações claras sobre os próximos passos em relação aos juros, mas o Banco Central afirmou que está monitorando de perto o conflito no Oriente Médio e seus possíveis efeitos prolongados sobre a inflação. O próximo encontro do Copom para reavaliar a Selic está agendado para os dias 16 e 17 de junho.

Nesta edição do Boletim Focus, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica de juros até o final do ano subiu de 13,25% para 13,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é de uma redução para 11,5% e 10% ao ano, respectivamente, mantendo-se em 10% ao ano em 2029. Aumentar a Selic visa conter a demanda, encarecendo o crédito e incentivando a poupança, enquanto a redução busca baratear o crédito, estimulando a produção e o consumo.

Cenário econômico: PIB e câmbio em foco

Além da inflação e dos juros, o Boletim Focus também atualiza as projeções para outros importantes indicadores econômicos. A estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira, medido pelo Produto Interno Bruto (PIB), foi ligeiramente ajustada de 1,9% para 1,91% para este ano. Para 2027, a projeção de expansão do PIB permanece em 1,7%, enquanto para 2028 e 2029, o mercado financeiro prevê um crescimento de 2% para ambos os anos.

No primeiro trimestre deste ano, a economia do país registrou um crescimento de 1,1% em comparação com o trimestre anterior. No acumulado de 12 meses, a expansão foi de 2%, conforme dados do IBGE. No ano anterior, a economia brasileira cresceu 2,3%, com desempenho positivo em todos os setores e destaque para a agropecuária, marcando o quinto ano consecutivo de crescimento.

Quanto à cotação do dólar, a previsão do mercado no Focus desta semana é de R$ 5,15 para o final do ano corrente. Para o final de 2027, a estimativa é que a moeda norte-americana se estabilize em R$ 5,20.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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