Foto: Reprodução | Via: Revista Oeste
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como operador ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, protagonizou um episódio cercado de informações divergentes na noite desta quarta-feira (4). O homem estava sob custódia da Polícia Federal (PF) na superintendência da corporação em Minas Gerais.
No fim da tarde, veículos de imprensa noticiaram que Mourão teria tentado tirar a própria vida dentro da unidade policial. Ele é um dos presos na terceira fase da Operação Compliance Zero.
Em nota divulgada às 16h55, a Polícia Federal informou que agentes que estavam no local prestaram socorro imediato ao custodiado.
“Assim que tomaram conhecimento da situação, policiais federais iniciaram procedimentos de reanimação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu)”, informou a corporação.
Segundo o comunicado, a equipe médica deu continuidade ao atendimento no local e o preso seria encaminhado a um hospital para avaliação e tratamento.
A PF também anunciou a abertura de um procedimento interno para apurar o ocorrido. Além disso, registros em vídeo da custódia serão enviados ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
Informações divergentes
No início da noite, um policial federal teria confirmado à revista Veja a morte de Mourão. A informação, no entanto, não foi confirmada oficialmente pela corporação.
Diante da repercussão, a Polícia Federal divulgou nova atualização por volta das 22 horas, afirmando que não havia confirmação do óbito.
“A PF não confirma as notícias veiculadas na imprensa que atestam a morte do custodiado. Informações sobre o estado de saúde do preso serão informadas após atualização da equipe médica”, informou o comunicado.
Apesar da negativa, reportagem do portal g1 indicou que, por volta das 21h45, o Hospital João XXIII teria iniciado o protocolo para confirmação de morte encefálica.
Como funciona o protocolo
O protocolo de morte encefálica reúne uma série de exames clínicos e complementares destinados a confirmar a interrupção irreversível das funções cerebrais.
No Brasil, os médicos realizam dois exames clínicos com intervalo mínimo entre eles, além do chamado teste de apneia e de um exame complementar capaz de comprovar a ausência de atividade cerebral ou de fluxo sanguíneo no cérebro.
A legislação também exige um período mínimo de observação após a identificação da causa do coma, com acompanhamento em tratamento intensivo.
Nos casos de encefalopatia hipóxico-isquêmica, por exemplo, o tempo mínimo de observação é de 24 horas antes da conclusão do diagnóstico.
Investigação da Operação Compliance Zero
Mourão é apontado pelas investigações como um dos operadores do esquema investigado na Operação Compliance Zero, que apura um suposto sistema bilionário de fraudes financeiras ligado ao Banco Master.
De acordo com a PF, ele desempenhava funções operacionais estratégicas dentro do grupo, incluindo monitoramento de alvos, acesso não autorizado a dados sigilosos e ações de intimidação.
O banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como líder da organização investigada, também foi preso durante a operação.
Mensagens obtidas pela investigação indicariam ainda ordens para coleta de informações pessoais de funcionários, pressões contra empregados e até o planejamento de agressão contra o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.

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