Ministério da Justiça suspende venda de destilados em sites após surto de intoxicação por metanol

Ministério da Justiça suspende venda de destilados em sites após surto de intoxicação por metanol

Shopee, Amazon, Mercado Livre e outras empresas deverão interromper anúncios até comprovarem origem dos produtos

DO FOLHAPRESS

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, determinou nesta quarta-feira (8) que grandes plataformas de comércio eletrônico suspendam a venda de bebidas destiladas em todo o país.

Foram notificadas as empresas Shopee, Enjoei, Mercado Livre, Amazon Brasil, Magazine Luiza, Casas Bahia, Americanas, Zé Delivery e Carrefour.

De acordo com a Senacon, as companhias deverão interromper temporariamente a comercialização e os anúncios desses produtos enquanto revisam seus mecanismos de controle para impedir a venda de bebidas sem comprovação de procedência.

O órgão também cobrou que as plataformas adotem medidas imediatas de prevenção e fiscalização.

Crise do metanol

A decisão ocorre após uma reunião emergencial entre representantes da indústria de bebidas e o Ministério da Justiça, realizada na terça-feira (7), para discutir a crise de intoxicação por metanol — substância tóxica encontrada em bebidas falsificadas que já causou diversas mortes no país.

Durante o encontro, o setor propôs a criação de um certificado oficial para garantir que destilados vendidos em marketplaces sejam fornecidos apenas por distribuidores homologados.

Segundo Cristiane Foja, presidente da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, apoiou a iniciativa e defendeu que anúncios suspeitos podem ser removidos sem necessidade de decisão judicial.

“Como o ministro bem falou, eles têm o entendimento de que não há necessidade de uma medida judicial para tirar uma oferta do ar — isso pode ser feito administrativamente. É um avanço”, disse Cristiane.

Fiscalização e nova lei

Hoje, as associações do setor mantêm parcerias com algumas plataformas — como o Mercado Livre — para retirar do ar anúncios suspeitos após denúncias. No entanto, a Abrabe defende que uma certificação padronizada facilitaria esse controle e evitaria que cada caso dependesse de acordos individuais.

“Quando sinalizamos uma oferta duvidosa, eles retiram do ar. Mas rastrear cada uma delas não é função da indústria. Isso precisa ser filtrado já no cadastro”, explicou a representante.

A proposta será discutida pelo comitê criado para acompanhar os casos de intoxicação por metanol, anunciado também nesta semana.

Além de Lewandowski, participaram da reunião o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o deputado Kiko Celeguim (PT-SP), relator do projeto de lei que torna crime hediondo a adulteração de bebidas e prevê penas mais severas para fabricantes e distribuidores que comercializarem produtos contaminados.

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