No dia 31 de outubro, cristãos e estudiosos comemoraram os 509 anos da Reforma Protestante, marco histórico que influenciou os alicerces da civilização ocidental.
O monge agostiniano e professor universitário Martinho Lutero fixou 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg em 1517, desafiando a mercantilização da fé e o absolutismo político da época.
Na Tese 1, Lutero estabeleceu: “Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: ‘Arrependei-vos…’ (Mt 4:17), certamente quer que toda a vida dos fiéis seja de arrependimento”. Na Tese 27, denunciou abusos espirituais, e na Tese 62 cravou que “O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus”.
Em abril de 1521, na Dieta de Worms diante do imperador Carlos V, Lutero afirmou: “A menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou por uma razão clara… minha consciência está cativa à Palavra de Deus. Não posso e não vou me retratar de nada, pois não é seguro nem correto agir contra a própria consciência. Que Deus me ajude. Amém”.
Esse princípio jurídico resultou na separação entre as esferas civil e eclesiástica e fundamentou a laicidade, além de influenciar os Direitos Humanos e o constitucionalismo moderno, conforme apontou o jurista alemão Georg Jellinek na obra A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
No campo da educação, a exigência de que todos lessem a Bíblia impulsionou a alfabetização e a criação de escolas públicas a partir de 1524 na Alemanha, enquanto João Calvino fundou uma academia em Genebra.
O teólogo e estadista reformado Abraham Kuyper sintetizou o pensamento afirmando que não há um só centímetro quadrado da existência sobre o qual Cristo não clame ser dEle.
Fonte: Pleno News — reportagem de Rafael Durand.
Leia a matéria original: O legado dos 509 anos da Reforma Protestante
Foto: Reprodução / Pleno News
