Economia e política: o impacto das reformas na argentina e no brasil

Economia e política: o impacto das reformas na argentina e no brasil

Os presidentes Javier Milei (Argentina) e Lula (Brasil), durante a 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados - 20/12/2025 | Foto: Ricardo Stuckert/PR

A redução de 32 mil empresas empregadoras na Argentina desde a posse de Javier Milei, em dezembro de 2023, tem sido utilizada por apoiadores do governo atual como demonstração de fracasso da política econômica vizinha. O argumento frequentemente aponta que uma eventual adoção de diretrizes semelhantes no Brasil provocaria uma destruição idêntica de postos de trabalho e negócios.

No entanto, a interpretação isolada dos números desconsidera o contexto estrutural das reformas e a própria dinâmica de abertura de mercado. Enquanto a economia argentina tenta se reestruturar após décadas de forte intervencionismo estatal, o cenário brasileiro apresenta realidades distintas que exigem cautela analítica, conforme dados comparativos entre os dois países.

Ajuste estrutural e o fechamento de empresas na argentina

Registros da Superintendência de Riscos do Trabalho da Argentina apontavam quase 520 mil empregadores ativos em novembro de 2023. Em julho de 2026, esse número caiu para cerca de 480 mil, representando uma retração líquida de 6,3%. Contudo, o montante reflete o saldo entre empresas que encerraram as atividades, novas aberturas e negócios que deixaram de manter funcionários registrados.

Durante décadas, o modelo econômico argentino operou sob forte proteção estatal, controles cambiais e restrições comerciais. Com a eliminação de licenças de importação e a redução de tarifas implementadas por Javier Milei, parte do empresariado local passou a enfrentar concorrência externa direta, resultando na inevitável obsolescência de estruturas produtivas ineficientes.

Diferenças metodológicas na dinâmica empresarial brasileira

Por outro lado, analisar o mercado brasileiro exige observar os dados da Receita Federal e de instituições de crédito. Entre 2023 e 2025, o país registrou milhões de aberturas de novos CNPJs, mas também conviveu com um expressivo volume de baixas e de pedidos de recuperação judicial em setores variados da economia nacional.

Esses indicadores demonstram que o aumento bruto no estoque de empresas não traduz necessariamente um ambiente totalmente favorável aos negócios, evidenciando que o volume de novos registros convive com dificuldades financeiras reais.

Resultados fiscais e inflação nos dois modelos

Outro ponto central na comparação entre as administrações envolve o controle das contas públicas e da inflação. A gestão de Javier Milei priorizou cortes drásticos de gastos e subsídios para estancar a emissão monetária, obtendo recuo nos índices inflacionários e ajustes fiscais importantes, embora acompanhados de custos sociais de curto prazo.

No cenário brasileiro, a trajetória da dívida pública e a condução da política fiscal seguiram diretrizes distintas sob o terceiro mandato de Lula. Especialistas apontam que a sustentabilidade a longo prazo depende da eficiência dos gastos do governo e da capacidade de manter a estabilidade monetária sem comprometer o crescimento produtivo.

Conclusão sobre a transformação produtiva

Nenhum indicador isolado — seja a queda líquida de empregadores na Argentina ou o saldo de CNPJs no Brasil — é suficiente para decretar o sucesso ou o fracasso absoluto de uma política econômica. As economias passam por fases de transição onde setores menos produtivos dão lugar a novas atividades.

Para avaliações precisas, analistas econômicos recorrem a relatórios detalhados, como os disponíveis em plataformas de transparência pública, a exemplo do portal oficial do governo, que monitora dados corporativos e fiscais de forma contínua.

Fonte: revistaoeste.com

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