Foto: Carlos Moura/SCO/STF e Divulgação Banco Master. Com montagem da revista Oeste | Via: Revista Oeste
Conversas registradas no celular do empresário levantam suspeitas de contato com ministro do STF; magistrado nega qualquer comunicação.
Mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), passaram a integrar o material analisado pela Polícia Federal após a prisão do banqueiro, ocorrida em 17 de novembro de 2025, no aeroporto de Guarulhos (SP).
Vorcaro foi detido quando tentava embarcar para Dubai, com escala em Malta. Durante a perícia no celular apreendido, investigadores localizaram registros de conversas entre o empresário e o ministro. No entanto, o conteúdo das mensagens não pôde ser recuperado, pois teria sido enviado no formato de visualização única ou apagado logo após a leitura.
Há também registros de diálogos datados de 1º de outubro de 2025, igualmente sem acesso ao conteúdo, já que as mensagens foram excluídas pouco depois de enviadas. As informações foram divulgadas pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Segundo a investigação, em um dos registros Vorcaro teria informado que estava fazendo uma “correria para salvar” determinada situação e perguntado ao ministro: “Conseguiu bloquear?”.
Moraes nega qualquer contato
Apesar da existência dos registros de mensagens e de ligações telefônicas identificadas pelos investigadores, o ministro Alexandre de Moraes negou ter mantido qualquer tipo de comunicação com o empresário.
Em nota enviada ao jornal O Globo, a assessoria do STF afirmou:
“O ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens. Trata-se de ilação mentirosa com o objetivo de atacar o Supremo Tribunal Federal.”
A defesa de Daniel Vorcaro não se pronunciou sobre o assunto até o momento.
Acesso ilegal a informações da investigação
A Polícia Federal também apura se Vorcaro teve acesso antecipado ao inquérito que investigava fraudes relacionadas à venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).
De acordo com os investigadores, o empresário teria obtido dados sigilosos por meio de acessos ilegais a sistemas da Polícia Federal e do Ministério Público, o que teria permitido que soubesse previamente das apurações em andamento.
Suspeita de corrupção no Banco Central
O inquérito aponta ainda que Vorcaro mantinha relação com dois servidores da área de supervisão do Banco Central: Paulo Sergio Souza e Belline Santana.
Segundo a investigação, os dois teriam alertado o empresário sobre monitoramentos do BC, revisado documentos e orientado Vorcaro antes de reuniões com o órgão regulador.
Um dos documentos citados no processo foi um ofício assinado por Paulo Sergio Souza, entregue à defesa do empresário após sua prisão. O documento afirmava que Vorcaro havia comunicado previamente sua viagem a Dubai, que supostamente teria como objetivo negociar a venda do banco a investidores estrangeiros.
Tentativas de evitar a prisão
Horas antes da detenção, advogados ligados ao Banco Master protocolaram uma petição na 10ª Vara Federal de Brasília, tentando impedir possíveis medidas cautelares contra o empresário.
O pedido foi enviado às 15h47, argumentando que uma eventual prisão poderia provocar “prejuízo irreversível a todo o conglomerado Master”.
Entretanto, poucos minutos antes, às 15h29, o juiz Ricardo Leite já havia determinado a prisão de Vorcaro. A decisão ainda estava restrita ao gabinete do magistrado e aos investigadores responsáveis pelo caso.
Anúncio de venda do Banco Master
No mesmo dia da prisão, o Banco Master divulgou ao mercado que havia fechado um acordo para venda da instituição ao grupo Fictor, ligado a investidores árabes.
O comunicado foi feito às 17h24, informando que o valor da transação seria de aproximadamente R$ 3 bilhões, embora detalhes do negócio não tenham sido divulgados.
O banco afirmou que apresentaria mais informações nos dias seguintes. Isso, porém, não ocorreu, pois Vorcaro foi preso ainda naquela noite no aeroporto.
Liquidação do banco e operação da PF
No dia seguinte à prisão, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.
Paralelamente, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraude financeira, corrupção e acesso ilegal a informações sigilosas ligadas ao sistema financeiro nacional.

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