Seis vereadores enviaram R$ 5,5 milhões em emendas a instituto investigado por lavagem

Seis vereadores enviaram R$ 5,5 milhões em emendas a instituto investigado por lavagem

DO MIDIANEWS | VIA: Victor Ostetti/MidiaNews

Chico 2000 é apontado como principal repassador; Polícia Civil apura desvio de recursos públicos

A Polícia Civil identificou que seis vereadores de Cuiabá destinaram, juntos, R$ 5,5 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Brasil Central (Ibrace), organização suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro e associação criminosa. As informações fazem parte das investigações da Operação Gorjeta, deflagrada na terça-feira (28).

São citados no inquérito os vereadores Chico 2000, Luiz Fernando (Republicanos), Kássio Coelho (Podemos), Wilson Kero Kero (PMB), Lilo Pinheiro (PP) e Dídimo Vovô (PSB). Segundo a apuração, os recursos deveriam ser utilizados na realização de eventos esportivos, mas há indícios de desvio de verbas públicas.

O Ibrace, fundado em 2021 e sediado em Cuiabá, é formalmente uma entidade sem fins lucrativos. A investigação aponta, no entanto, que a instituição teria sido utilizada como intermediária em um esquema envolvendo peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, com prejuízo ao município, especialmente à Câmara Municipal e à Secretaria de Esportes.

Documentos obtidos pela reportagem mostram que o instituto recebeu R$ 5.489.787,00 em emendas parlamentares. Desse total, R$ 350 mil foram destinados por Luiz Fernando e R$ 400 mil por Kássio Coelho. Há ainda R$ 317.213,00 atribuídos a repasses ligados a Wilson Kero Kero e Lilo Pinheiro, além de R$ 307 mil exclusivamente de Kero Kero. Um montante de R$ 365.574,00 aparece sem identificação clara de autoria.

O maior volume, porém, teria sido destinado por Chico 2000, considerado um dos principais alvos da operação. Ele teria repassado cerca de R$ 3,5 milhões ao instituto. Em conjunto com Dídimo Vovô, os repasses somariam ainda R$ 200 mil.

Repasses ao longo de três anos

Conforme a Polícia Civil, Chico 2000 foi responsável por aproximadamente 66% de todo o valor recebido pelo Ibrace entre 22 de novembro de 2022 e 9 de abril de 2025.

Entre os repasses que despertaram atenção dos investigadores está o de R$ 600 mil, feito em 4 de abril de 2025, para a realização da 36ª Corrida do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Cinco dias depois, em 9 de abril, o vereador destinou mais R$ 400 mil para a 6ª Corrida do Legislativo, também por meio de emenda impositiva.

Nas redes sociais, o Ibrace afirma atuar na promoção da cidadania e da inclusão social por meio de ações esportivas, culturais e educacionais. A diretoria formal é composta pelo presidente Alex Jony Silva, o secretário Valdomiro Everson Rigolin e o tesoureiro Joaci Conceição Silva. O conselho fiscal inclui Osvaldo de Souza Brito, Suzana Parreira Oliveira e Eleuza Maria da Silva. Alguns desses nomes também são alvos da operação.

Embora não figure oficialmente na estrutura da entidade, a investigação destaca a atuação de João Nery Chiroli, apontado como organizador dos eventos esportivos e representante informal do instituto. Ele também é alvo da operação.

Trecho do inquérito aponta que, apesar de o Ibrace figurar como responsável pelos eventos, a organização prática estaria a cargo da empresa Chiroli Esportes, pertencente a João Nery Chiroli.

Outro ponto considerado suspeito ocorreu em 9 de abril de 2025, mesma data em que Chico 2000 destinou R$ 400 mil ao instituto. Nesse dia, segundo a Polícia, Chiroli teria transferido R$ 20 mil via PIX a uma construtora responsável por obra ligada ao vereador em Chapada dos Guimarães.

Para os investigadores, a coincidência de datas e a atuação de Chiroli em nome do Ibrace, mesmo sem vínculo formal com a entidade, reforçam os indícios de irregularidades no uso das emendas parlamentares.

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