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Expectativa de cortes de juros nos EUA e embates de Trump com o Fed pressionam a moeda americana
O dólar encerrou agosto em queda, revertendo parte dos ganhos de julho, quando havia registrado o melhor desempenho do ano. O movimento reflete a combinação de expectativa por uma política monetária mais flexível nos Estados Unidos e a instabilidade gerada pelas críticas do presidente Donald Trump ao Federal Reserve (Fed).
O Bloomberg Dollar Spot Index caiu 1,6% neste mês, após ter avançado 2,7% em julho. Apesar disso, Wall Street projeta que a moeda ainda pode acumular recuo de até 8% em 2025, diante do enfraquecimento da economia e da previsão de cortes de juros pelo banco central americano.
Desconfiança política pesa
Trump intensificou as críticas ao Fed e chegou a questionar a credibilidade dos dados econômicos oficiais. Também tentou destituir a diretora Lisa Cook, que reagiu entrando com ação judicial contra o presidente. Para analistas, essas tensões aumentam a percepção de risco sobre a independência da instituição e reduzem o apelo do dólar como ativo de segurança.
Lael Brainard, ex-vice-presidente do Fed, alertou que presidentes de bancos regionais podem ser removidos de forma política, o que aproxima os EUA da dinâmica típica de economias emergentes — algo que costuma prejudicar moedas locais.
Sinais de queda técnica
Além do ambiente político, a análise gráfica reforça a tendência de baixa. O dólar segue abaixo da média móvel de 100 dias desde março, sem conseguir rompê-la mesmo em tentativas recentes.
“Esse comportamento é típico de uma moeda em processo de desvalorização”, explicou Sahil Mahtani, diretor do Instituto de Investimentos da Ninety One, em Londres.
Expectativa por cortes de juros
No simpósio de Jackson Hole, o presidente do Fed, Jerome Powell, sinalizou que pode reduzir a taxa básica já na próxima reunião de setembro. O mercado trabalha com 80% de chance de corte neste encontro e já precifica até 125 pontos-base de flexibilização até setembro de 2026.
Essa postura mais branda pressiona os rendimentos dos Treasuries e, somada a uma inflação um pouco mais alta, diminui a atratividade do dólar frente a outras moedas.
Investidores reforçam proteção
A tendência de fraqueza prolongada deve levar grandes fundos globais a ampliar a proteção cambial. O Morgan Stanley aponta que fundos de pensão e seguradoras na Dinamarca já aumentaram o hedge em 2025, enquanto outros países ainda avaliam a mesma estratégia.
“Os ativos financeiros dos EUA continuam muito sólidos, mas o dólar se torna menos interessante”, afirmou Serena Tang, chefe de estratégia do Morgan Stanley em Nova York.
Segundo estimativas, estrangeiros possuem cerca de US$ 32 trilhões em ativos atrelados ao dólar, e até US$ 1 trilhão pode ser realocado caso os níveis de hedge retornem à média histórica.
Via: Infomoney

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